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Evento deste sábado debate futuro do país e deve lançar candidatura de Boulos

A economista Laura Carvalho, o deputado Jean Wyllys e o escritor Frei Betto falam do evento que será realizado pela plataforma Vamos!, e apontam propostas para mudar o Brasil, apesar de Temer
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 03/03/2018 11h32
A economista Laura Carvalho, o deputado Jean Wyllys e o escritor Frei Betto falam do evento que será realizado pela plataforma Vamos!, e apontam propostas para mudar o Brasil, apesar de Temer
PT Senado / Reprodução You Tube / Câmara dos Deputados
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Laura Carvalho, Frei Betto e Jean Wyllys: consenso de que a luta política precisar reverter os retrocessos de Temer

São Paulo – A plataforma Vamos!, da Frente Povo Sem Medo, realiza neste sábado (3), na Casa das Caldeiras, em São Paulo, a Conferência Cidadã. O objetivo é debater os rumos e propostas para mudar o país, mergulhado numa das mais graves crises de sua história. O evento acontece a partir das 18 horas. É grande a expectativa de que a pré-candidatura de Guilherme Boulos à presidência da República, pelo Psol, seja lançada no encontro.

Além do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), um dos idealizadores do Vamos!, e da ativista indígena Sonia Guajajara (que seria sua vice), participam da conferência inúmeras lideranças políticas, sociais, artistas e produtores culturais.

O músico e cantor Caetano Veloso, lideranças indígenas como Tsitsina Xavante e Cintia Guajajara, o jornalista José Trajano, o escritor Marcelo Rubens Paiva, entre outros, participam do evento. A atriz Sonia Braga, Wagner Moura e o sociólogo Boaventura de Sousa Santos estão entre os que darão depoimentos por meio de vídeos gravados.

“Sem medo de mudar o Brasil”, conforme a chamada divulgada pelo Vamos! nas redes sociais, aponta para a urgência de o país sair da crise. Mas com que pospostas?

“Na minha visão, o principal eixo dentro de qualquer projeto de mudança do país é o combate à desigualdade, e acho que esse deveria ser o centro de qualquer campanha e do debate eleitoral”, diz a economista e professora da Universidade de São Paulo (USP) Laura Carvalho. “Quando eu digo desigualdade, não falo só de renda, mas também quero falar de desigualdades regionais, de desigualdades no nível de educação e saúde, na oferta de serviços públicos de melhor qualidade.”

Segundo o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), a conferência deve apontar propostas e ideias, mas a primeira tarefa passa pela resistência. “Mudar o Brasil é garantir a democracia, que está ameaçada. Ela foi golpeada e o que resta dela e das instituições democráticas está permanentemente ameaçado”, diz. “As nossas elites econômicas, que são as elites políticas também, e a parte da classe média que almeja ser elite, não sabem conviver com nossa democracia se ela não beneficiar apenas a elas próprias.”

Para o deputado, exemplo dessa visão é a atriz Luana Piovani, que, ao justificar sua decisão de ir morar em Portugal, declarou que “lá você tem saúde, segurança e educação”.  “Alguém que aqui no Brasil era contrária às políticas sociais e fortalecimento da democracia, e agora começa a tecer loas sobre o estado do bem estar social português.”

Na opinião do escritor Frei Betto, mudar o Brasil, hoje, é mudar “radicalmente” a política econômica e social. “Se não houver um combate rigoroso às desigualdades sociais, o país não tem futuro. Em um ano e meio, Temer conseguiu retroceder o país em 150 anos”, afirma. “Principalmente ao operar a reforma trabalhista e as privatizações. Mudar o Brasil hoje é fazer reformas estruturais. Para isso, é preciso que o eleitor esteja consciente de eleger casas legislativas mais progressistas, tanto para as assembleias estaduais como para a Câmara Federal e o Senado.”

Wyllys acredita que, além e a partir da luta pela manutenção da “combalida” democracia brasileira, não se pode falar de mudanças em um país tão desigual sem abordar algumas questões fundamentais, como “reparar os danos” históricos decorrentes da escravidão dos negros e seus descendentes, além dos índios. “Nunca olhamos para essa questão profundamente, para ver como ela estrutura as relações sociais do Brasil, como impregna as instituições, e isso vale também para os povos indígenas.”

Direitos

A questão das políticas sociais envolvendo os direitos de negros e índios, diz Wyllys, é central inclusive para o tema da segurança pública. “Fazem uma intervenção militar no Rio de Janeiro, populista, demagógica, que responde no curto prazo os medos da classe média, mas não se encara a questão racial e como a segurança pública tem a ver com a discriminação e a falta de oportunidades.”

Há ainda duas outras pautas para se olhar o futuro do Brasil, na opinião do parlamentar. Uma é a equidade de gêneros. “É inadmissível que mais da metade da população do país seja tratada de maneira desigual, metade representada pelo contingente de mulheres, incluindo as transgênero.” Para ele, essa questão também traz consigo o combate à homofobia e a luta pelos direitos das pessoas LGBT.

Outro tema, destaca o deputado, são os 21 anos de ditadura militar “que não foram passados a limpo” no país. “A Comissão da Verdade e Memória ficou longe de ser uma comissão da Justiça, porque nenhum torturador foi conduzido aos tribunais. Por isso estamos vendo um candidato (Jair Bolsonaro) que faz apologia à tortura entre aqueles com maior número de intenções de votos.”

Futuro possível

Mesmo considerando a devastação a que o Estado brasileiro vem sendo submetido e o tamanho da crise, a transformação do país rumo a um futuro progressista, a médio prazo, “é perfeitamente possível”, na opinião de Laura Carvalho. “Isso se forem enfrentados os interesses que resultam não só em parcelas do orçamento público sendo destinados para os privilégios de sempre, ao invés de ir para um projeto de transformação social. Mas, é claro, é necessário para isso enfrentar os interesses daqueles que sempre se apropriaram das esferas de poder político e econômico do país.”

Frei Betto também acredita na possibilidade de “mudar o Brasil”. “Acho que sim, é possível. Tivemos a experiência dos dois mandatos do Lula e o primeiro da Dilma que foram muito positivos. Infelizmente o PT não fez as reformas estruturais que deveria fazer, mas foram os melhores governos da nossa história republicana, tanto que hoje, apesar das condenações, Lula continua sendo o líder das pesquisas eleitorais.”