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Ato na Faculdade de Direito do Largo São Francisco homenageia Marielle

"Só num país onde juristas corruptos mandam não se vê que direitos humanos é luta por minorias", diz professor da Faculdade de Direito da USP
por Redação RBA publicado 22/03/2018 11h14
"Só num país onde juristas corruptos mandam não se vê que direitos humanos é luta por minorias", diz professor da Faculdade de Direito da USP
FACEBOOK/ANA LÚCIA MARCHIORI
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Organizadores destacaram que a luta por Direitos Humanos era uma das bandeiras defendidas por Marielle Franco

São Paulo – O crime que matou a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e do Anderson Pedro Gomes, foi lembrado nesta quarta-feira (21), com atos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro de São Paulo. O presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), Rodrigo Ricupero, lembrou que a Faculdade de Direito da USP tem um papel fundamental na denúncia do assassinato de Marielle. "A gente está aqui num lugar histórico na luta contra a ditadura, contra a repressão e todo tipo de violência por parte do Estado, que é responsável e isso precisa ficar claro", afirma Ricupero em entrevista ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual.

O professor de Direito Humanos Ari Solon ressalta que a luta por justiça é um dever de todos, principalmente para quem leciona na instituição. "Direitos humanos é a luta pelos excluídos, por aqueles que foram escravos e não deixaram de ser. Só num país onde juristas corruptos mandam não se vê que direitos humanos é luta por minorias. Aqui ainda é a faculdade onde se ensina o Direito e é a partir daqui que começa a luta por justiça."

O diretor do Centro Acadêmico XI de Agosto Gabriel Ribeiro disse que o caso de Anderson e Marielle se torna mais grave ainda com a suspeita de que a munição usada pertencia a lote que havia sido vendido à Polícia Federal.

“A gente encara com muito medo. Por muito tempo, nós, da esquerda, fomos acusados de teorias conspiratórias, mas vemos provas concretas de que tudo é uma perseguição a movimentos sociais. Estamos num Estado de Exceção", critica Gabriel.

As entidades também condenaram a militarização da polícia e a intervenção das forças armadas no Rio.

Maria de José Menezes, a Zezé, representante do Núcleo de Consciência Negra da USP, disse que o Estado brasileiro oferece instrumento de combate para o extermínio da população negra. "Nós temos relatórios que mostram que o assassinato dos negros é uma política implementada pelo Estado para a contenção das revoltas, já que ele não oferece ensino ou emprego. Ele mantém a população na marginalidade."

Rio de Janeiro

Cerca de 30 mil pessoas lotaram o centro do Rio, na terça-feira (20), para lembrar que uma das bandeiras de luta da vereadora Marielle Franco: a discriminação racial. Nesta quarta, foi celebrado o Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

A mobilização no Rio foi para que vozes como a da vereadora não sejam caladas. O lema é continuar a resistência, em memória de Marielle. "Agora a gente tem mais um motivo para continuar lutando, dando a ela a nossa emancipação do povo negro", disse a educadora popular Vanderléia Aguiar.

Os manifestantes também fazem pressão para que as investigações sejam feitas adequadamente. "É preciso manter as ruas acesas. A gente precisa continuar na rua para que a justiça seja feita. Confiamos na investigação e fortaleceremos o movimento em memória de Marielle", acrescenta deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ).

Assista à reportagem de Viviane Nascimento, no Seu Jornal, da TVT