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'Defender Lula é defender a democracia', diz Boulos

Líder do MTST fala em "perseguição infame" ao ex-presidente. "O lugar de quem é de esquerda, concorde ou não com Lula, é defender o seu direito de ser candidato." Sem-teto estarão nas ruas no dia 24
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 19/01/2018 08h59, última modificação 19/01/2018 09h55
Líder do MTST fala em "perseguição infame" ao ex-presidente. "O lugar de quem é de esquerda, concorde ou não com Lula, é defender o seu direito de ser candidato." Sem-teto estarão nas ruas no dia 24
CC / Midia Ninja
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Guilherme Boulos e Lula, em ato que defendeu a democracia, ao denunciar o avanço de setores do Judiciário contra a participação do ex-presidente nas eleições

São Paulo – Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e especulado como presidenciável do Psol, Guilherme Boulos foi ao ato em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que "defender Lula é defender a democracia no Brasil". Segundo ele, o petista sofre uma perseguição judicial "infame" e merece todo apoio. "O lugar de quem é de esquerda, concorde ou não com Lula, é defender o seu direito de ser candidato."

Por isso, acrescentou Boulos, o "nosso dever democrático é tomar as ruas no dia 24", data do julgamento do recurso do ex-presidente no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre. Ele afirmou que os sem-teto participarão de ato de apoio em São Paulo, inclusive vindos da Ocupação Povo sem Medo, em São Bernardo do Campo. "Não adianta a polícia do Alckmin dizer que não vamos fazer manifestação, porque nós vamos. Conte com o MTST."

Ele também fez críticas à Justiça brasileira. "Quando o Judiciário resolve fazer política, não se pode mais falar em democracia. A ditadura pode se vestir de toga também." Para Boulos, o dia 24 é uma encruzilhada entre sepultar ou levar adiante uma farsa judicial. "Eles podem até condenar, mas você (Lula) já foi absolvido pelo tribunal da história."

Outro nome ligado ao Psol presente ao ato foi Gilberto Maringoni, para quem o caso Lula não pode ser visto de forma isolada. "Quem está sendo julgado é o povo brasileiro." O debate, acrescentou, é "se as reformas vão continuar ou não, se o golpe se aprofunda ou não, se a Petrobras vai ser entregue ou não". 

"Essa luta não é só de Lula, do PT, da esquerda. Porque não acaba no dia 24", disse Maringoni, para quem a eleição deste ano será "a mais polarizada que já tivemos, muito mais do que em 89". É uma causa da América Latina, mundial, afirmou, fazendo ironia com a reação dos chamados "mercados" em relação à candidatura: "Se o mercado está nervoso, que vá comprar Rivotril".

Vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino manifestou "carinho, respeito e admiração" por Lula, aliado "no passado, no presente e no futuro". O partido também esboça uma candidatura própria neste ano. Ele defendeu união "em uma grande frente" e alertou para um possível tentativa de "melar" a eleição caso Lula se mantenha na disputa. "Temos de ser capazes de construir um projeto de nação unitário", afirmou. Deputada pelo PCdoB paulista, a sambista Leci Brandão também participou do ato, com outros artistas.