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Lava Jato mal lavada

Expectativa é de que Tacla Duran mostre fatos novos sobre indústria de delações

Para o deputado Paulo Pimenta, relacionamento de advogado, que mora na Espanha, com advogado Carlos Zucolotto, amigo de Sergio Moro, 'reforça a tese de que existe um conjunto de escritórios que têm acesso para viabilizar os acordos'
Publicado por Eduardo Maretti, da RBA
Política
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Reprodução
Tacla Duran, Wadih, Pimenta

Paulo Pimenta (esq) e Wadih Damous (dir) ouviram Tacla Duran no final de outubro na Espanha

São Paulo – Na próxima quinta-feira (30), a CPI Mista (CPMI) da JBS deve ouvir o advogado Rodrigo Tacla Duran, envolvido em denúncias contra a Odebrecht. Ele mora na Espanha. 

Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a expectativa é de que Duran traga “fatos novos com relação ao que se chama indústria das delações e a maneira como tem se desenvolvido esse processo, que pouca gente conhece”.

Nesta terça-feira (28), a colunista Mônica Bergamo informou que o advogado vai apresentar, no depoimento, “uma perícia feita a pedido dele, na Espanha, em fotos de correspondência que diz ter mantido com o advogado Carlos Zucolotto, do Paraná, pelo Wickr”.

Pimenta, junto com o colega de partido Wadih Damous (PT-RJ), esteve na Espanha no final de outubro. Na viagem, os parlamentares fizeram diligências relativas à CPMI da JBS, da qual ambos são membros, e ouviram Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht entre 2011 e 2016. Duran – envolvido em denúncias e acusado de participar de esquemas de lavagem de dinheiro – 
vem denunciando aspectos irregulares nas delações premiadas da Operação Lava Jato.

Ele ganhou notoriedade depois de dizer que o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Júnior, amigo e padrinho de casamento do juiz Sergio Moro, intermediava negociações paralelas com a força-tarefa. “O relacionamento que ele estabeleceu com o escritório do Zucolotto seria para tentar construir uma negociação de uma delação favorável a ele. Ele anunciou que vai apresentar provas desse relacionamento, na medida em que o Zucolotto era sócio do escritório da mulher do Moro”, diz Pimenta.

Para o deputado, o relacionamento configura tráfico de influência. “Isso reforça a tese de que existe um conjunto de escritórios que têm acesso para viabilizar os acordos (de delação premiada).”