Você está aqui: Página Inicial / Política / 2017 / 11 / Documentos em delação de executivos da Odebrecht foram adulterados, diz Duran

CPMI

Documentos em delação de executivos da Odebrecht foram adulterados, diz Duran

Em primeira parte de seu depoimento, advogado confirma encontro entre diretores para acertar o teor de delações e que emails da empreiteira podem ter sido modificados
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 30/11/2017 13h07, última modificação 30/11/2017 13h33
Em primeira parte de seu depoimento, advogado confirma encontro entre diretores para acertar o teor de delações e que emails da empreiteira podem ter sido modificados
TV Senado / Reprodução
Tacla.jpg

O advogado que prestou serviços à Odebrecht, Rodrito Tacla Durán, em depoimento no Congresso que pode atingir a Lava Jato

Brasília – Em depoimento prestado por videoconferência à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, o advogado Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht entre 2011 e 2016, disse que a perícia encomendada por ele junto a profissionais da Espanha comprovam que documentos do sistema de e-mails internos (intranet) da Odebrecht foram alterados antes e depois de o sistema ter sido bloqueado pelo Ministério Público Federal. Ele também encaminhou documentos e e-mails trocados com seus advogados à CPMI.

O advogado, que está na Espanha, onde reside, disse que, por conta das falsificações encontradas nas delações premiadas dos executivos da Odebrecht, considera que todos os documentos obtidos diretamente do banco de dados da empreiteira podem estar comprometidos. “Não falo por todos, mas aponto vários extratos como adulterados e acredito, como advogado, que isso constitui vício para todos os documentos”, afirmou.

Tacla Duran confirmou a informação de que recebeu proposta do Ministério Público para fazer um acordo de delação premiada, mas não aceitou. O advogado entregou aos integrantes da CPMI, cópia do e-mail com a proposta da delação e a minuta do suposto acordo, que foi negado pelo procurador Luiz Fernando dos Santos Lima. Duran contestou Luiz Fernando.

“Refleti sobre o acordo e não aceitei porque achei que queriam criminalizar minha profissão e me imputar crimes que não cometi. Mesmo diante das dificuldades que passo e que sabia que iria enfrentar, resolvi não assinar este acordo."

‘Delações combinadas’

O advogado confirmou a versão de que houve um encontro, promovido pela Odebrecht, entre seus executivos para combinar as informações a serem repassadas durante delações premiadas.

Disse também que soube, antes e depois da realização do evento, que a empresa alugou um hotel em Brasília no qual se reuniram por vários dias aproximadamente 100 executivos, para que acertassem os termos dos acordos e tudo o que cada um deles diria. Depois desse encontro foram homologados acordos com 77 executivos.

“Isto significa que foi uma delação totalmente combinada entre eles”, acusou o deputado Wadih Damous (PT-RJ). “A reunião me lembra o filme ‘O Poderoso Chefão’ em que é realizado num hotel um encontro de grandes mafiosos”, comparou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Tacla Duran, porém, evitou falar, durante a primeira parte de seu depoimento, sobre a mulher do juiz Federal Sérgio Moro, a advogada Rosângela Moro. “Não tenho nada a falar sobre o juiz Sérgio Moro, apenas que ele está extrapolando o papel de juiz, me prejudicando um pouco”, disse. Rosângela Moro faz parte da equipe do advogado Carlos Zucolotto, de Curitiba, a quem Duran contratou para representá-lo no processo.

Ele admitiu aos deputados e senadores ter contratado o escritório paranaense por ter sido “aconselhado” a contar com “alguém que fosse da patota de Curitiba” – dando a entender que podem existir acordos entre as bancas de advogados e a equipe da Operação Lava Jato, mas sem apresentar provas, nem se estender no assunto.

Duran também confirmou ter recebido uma proposta de Zucolotto de que parte dos pagamentos dos honorários advocatícios deveriam ser “por fora”, o que entendeu que se tratava de uso de recursos para um possível caixa dois ou pagamento a terceiros. Esses pagamentos seriam direcionados a uma pessoa identificada como “DD”, mas disse não saber de quem se trata.

A oitiva não tem hora determinada para o encerramento – às 12h30, quando o depoimento já durava cerca de três horas e meia, apenas dois parlamentares haviam feito suas perguntas e ainda havia parlamentares inscritos para fazer perguntas a Tacla Duran.

infográfico