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'Rancho Fundo', 'Menino da Porteira', morangos orgânicos. E a caravana segue

Aplicando metodologia desenvolvida por sua natureza sertaneja, e já empregada nas Caravanas da Cidadania de 1993, o repórter Lula interage com agricultores, diverte, aprende e ensina como governar
por Cláudia Motta, especial para RBA publicado 29/10/2017 15h52, última modificação 30/10/2017 15h22
Aplicando metodologia desenvolvida por sua natureza sertaneja, e já empregada nas Caravanas da Cidadania de 1993, o repórter Lula interage com agricultores, diverte, aprende e ensina como governar
Ricardo Stuckert
Viola na roça

Equipe da caravana caminha pelo chão de terra entoando clássicos sertanejos

Montes Claros (MG) – As nuvens escuras e carregadas no céu de Montes Claros despejaram, por volta das 11h deste sábado (28), uns poucos pingos da chuva tão esperada pelos lavradores da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros da Região do Pentáurea (Aspropen). As gotinhas foram comemoradas como obra do visitante ilustre. A Aspropen era a primeira parada do dia da Caravana Lula pelo Brasil em Minas Gerais.

Depois de percorrer o terreno, comer morangos colhidos na hora, e livre de agrotóxicos, o ex-presidente subiu num pequeno caminhão de som para falar aos agricultores. Os discursos, no entanto, estão sendo cada vez mais substituídos por divertidas entrevistas. Luiz Inácio Lula da Silva é o entrevistador. Perguntou ao atual presidente, José Maria Ferreira de Souza, e ao ex-presidente da Aspropen João Simael o que diriam aos trabalhadores ali, caso estivessem disputando uma eleição à Presidência da República.  

A estratégia, definida pelo próprio Lula, vem sendo utilizada para tornar mais dinâmicos e interessantes os atos políticos, nos quais as falas e homenagens se multiplicam por muitas horas e até várias vezes por dia. E está sendo um sucesso. O público aplaude, se envolve.

Na sexta-feira, o embate entre Zé Maria e Simael acabou definido por Lula como empatado, numa chapa única para a disputa. O único cargo já definido, caso eleitos, seria o de presidente do Banco do Brasil para Geraldo Élcio, gerente da instituição financeira responsável por mais de 70% do crédito ofertado aos pequenos agricultores.

Geraldo, aposentado, deixou claro que não estava ali representando o banco, mas parte da equipe do voluntariado. “A gente ajuda a todas as comunidades que realmente têm necessidade e conseguem se organizar”, explica. “Não é o voluntário que trabalha”, disse, contando que ouve que ele trabalha demais, porque manda seis, oito projetos para a Fundação Banco do Brasil. “Mas quem trabalha são vocês. São vocês que produzem, são vocês que transformam. Tudo vem da comunidade, e é essa comunidade organizada que a gente quer, que faz produzir.”

Lula comemorou as falas, com depoimentos que demonstravam o sucesso desse projeto de agricultura familiar. “A impressão que eu tenho é que não nasce nem um pintinho vivo no Brasil por dia, porque não aparece nada legal. Quando a gente vem a uma comunidade e ouve companheiros prestarem os depoimentos que eles prestam, e poder levar pra outras experiências bem sucedidas a ideia de que é possível. É possível! O governo só tem de definir para quem ele quer governar, porque para governar para os ricos o Brasil já tem experiência demais. Porque poucas vezes foi governado. E as poucas vezes que alguém quis fazer alguma coisa, eles tiraram.”

Assista à sequência

Foi o valor de R$ 15 mil cada um, tomado emprestado no Banco do Brasil, que mudou a realidade das famílias de Zé Maria e Cimael. “E deu um salto de qualidade na vida deles. Tem gente que pega R$ 15 milhões, R$ 150 milhões. Porque o produtor rural rico tem duas alegrias: uma quando pega dinheiro no Banco do Brasil e a outra quando não paga. E vocês têm de pagar porque o patrimônio que o pobre tem é a cara, o nome da família.”

O papo sério foi encerrado pelo chamado dos violeiros. Lula, que completou 72 anos na quinta-feira 27, ganhou mais um bolo e o tradicional Parabéns a Você. Depois vieram clássicos como Rancho Fundo e outras tradicionais músicas do sertanejo brasileiro, que iam sendo entoadas por todos enquanto caminhavam pelo chão de terra.

Os violeiros e uma procissão de lavradores acompanharam o ex-presidente com a cantoria até o fim da estrada. O olhar do “cara” divagava, marejava. No final, já sob apelo dos organizadores para que a caravana seguisse para o ato em defesa da agricultura familiar, planejado para as 12h, em Bocaiúva, Lula pediu Menino da Porteira e foi atendido. A comunidade dos 137 pequenos produtores rurais da região do Pentáurea “nunca mais vai esquecer esse dia”, dizia o emocionado Zé Maria. 

Ricardo Stuckert morangos
'Vocês devem pôr açúcar nesse morango aqui'