Despedida

Trajano: Fernando Pacheco Jordão será sempre lembrado por sua dignidade

Em entrevista à RBA, José Trajano lembra do veterano autor de 'Dossiê Herzog', morto nesta quinta (14) aos 80 anos, como um 'baita jornalista'

Instituto Vladimir Herzog
Pacheco Jordão

Pacheco Jordão criou o jornalismo na TV Cultura e foi demitido em 1974, visto como ‘subversivo’. Foi para a Globo e lá ficou até 1979, demitido após histórica greve dos jornalistas

São Paulo – A importância de Fernando Pacheco Jordão para o jornalismo brasileiro foi lembrada hoje pelo colega José Trajano, durante entrevista concedida à Rede Brasil Atual. Pacheco Jordão morreu nesta quinta-feira (14), aos 80 anos, depois de uma década enfrentando sequelas de três derrames. O veterano começou no jornalismo há 60 anos e passou por algumas das principais redações do país, e também pela britânica BBC.

“Fernando Pacheco Jordão sempre foi um batalhador, muito reconhecido pela categoria. Era braço direito de Audálio Dantas quando este presidiu o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, nos anos 1970. Foi ele quem encabeçou um abaixo-assinado histórico com adesão de mais de mil profissionais pedindo a punição dos torturadores”, lembra Trajano. “Ele chefiou muitas redações sempre com muita dignidade. É mais um de uma geração muito brilhante que está indo embora. Foi uma baita jornalista.”

Trajano conversou hoje com a RBA para falar de seu programa Papo com Zé Trajano, que vai ao ar a partir de segunda-feira (18), transmitido pela TVT e pela Rádio Brasil Atual. Serão 15 minutos, às 18h45, de “papo” sobre futebol, política e cultura, “e o que der na telha”, diz. A entrevista completa será publicada nesta sexta-feira.

Além de respeitado pelo trabalho profissional, Fernando Pacheco Jordão foi também uma referência da categoria nos períodos mais difíceis de enfrentamento à ditadura (1964-1985). Foi colega de Vladimir Herzog na TV Cultura nos anos 1970 e sobre ele escreveu Dossiê Herzog – Prisão, Tortura e Morte no Brasil, publicado em 1978, três anos depois do assassinato de Vlado nos porões do DOI-Codi, em São Paulo.

Em nota, o Instituto Vladimir Herzog afirma que o jornalista estará sempre presente, ao dar nome ao Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, “que em poucos anos já foi disputado por quase dois mil estudantes e seus 650 professores-orientadores de cerca de 200 escolas de jornalismo de praticamente todos os estados do Brasil”.

Leia a nota do Instituto Vladimir Herzog

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