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Militantes fazem campanha por Dirceu, prestes a ser julgado de novo no TRF 4

Hastag #EuConfioEmZeDirceu, lançada por simpatizantes do ex-ministro, ganhou destaque nas redes sociais. Julgamento, dependendo do resultado, pode levá-lo de volta à prisão em regime fechado
Publicado por Hylda Cavalcanti, da RBA
11:16
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Marlene Bérgamo/Folhapress
zé dirceu

Dirceu criticou Palocci por ceder a pressões e fazer acordo para dizer o que o grupo da Lava Jato quer ouvir

Brasília – O ex-ministro José Dirceu enfrenta nova batalha judicial nesta terça-feira (26). Ao mesmo tempo em que é alvo de holofotes negativos da mídia, também protagoniza campanha que o homenageia e apoia, com participação de militantes e intelectuais dizendo acreditar e confiar nele. Dirceu terá um recurso de apelação apresentado por sua defesa na pauta de julgamentos de hoje pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

O recurso é contra sentença proferida pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, que o condenou a 23 anos e três meses de prisão na operação Lava Jato. Caso a 8ª turma do tribunal, que julgará o recurso, o rejeite, o ex-ministro poderá retornar para a prisão em regime fechado. José Dirceu cumpre, atualmente, prisão domiciliar em Brasília. 

O Supremo Tribunal Federal (STF) substituiu a pena em regime fechado que ele vinha cumprindo por medidas cautelares, com a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça, usar tornozeleira e não entrar em contato com outros investigados no processo.

Em razão do julgamento, apoiadores do ex-ministro ocuparam ontem as redes sociais. Somente no Twitter, atingiram o segundo lugar nos trending topics no horário nobre, entre as 20h50min à 21h25min, com o lançamento da campanha intitulada “Resistência Zé Dirceu”. A campanha consiste na publicação da foto de cada um seguida da hashtag #EuConfioEmZeDirceu.

A ideia do grupo é manter a mobilização na internet e dar continuidade à campanha com a realização de um ato público (com data ainda não definida). O ex-ministro disse que foi pego de surpresa com a mobilização e se sentia grato pela solidariedade dos companheiros.

Sem delação

Há poucos dias, mesmo sem Dirceu ter dado declarações a respeito, pessoas próximas disseram que ele criticou em reservado a postura do antigo companheiro, o ex-ministro de governos do PT, Antonio Palocci, de ter aderido à delação premiada e dado informações tidas como comprometedoras para os dirigentes do partido e antigos governantes.

Segundo algumas destas pessoas, ele teria dito que preferiria morrer antes de delatar. E ressaltou que embora lhe custe, dor, sofrimento e medo, não pretende perder sua dignidade falando de antigos companheiros. Essa conversa, que vazou para os petistas, conquistou a simpatia de muitos militantes.

“Zé Dirceu é um guerreiro. Foi peça importante para os programas do PT que ajudaram a reduzir a desigualdade deste país e, embora tenha cometido erros, terminou pagando por muita coisa que não partiu dele. O momento é de apoiá-lo em mais esta luta”, afirmou o professor Jairo Camargo, da rede pública do Distrito Federal e filiado ao partido.

Mesmo com o julgamento de hoje, a prisão de Dirceu, que tem 71 anos, não é obrigatória. Caso a decisão de Moro seja confirmada pela segunda instância do TRF4, os desembargadores vão julgar se é adequado enviar o ex-ministro de volta para a carceragem.

Fazem parte do colegiado que vai julgar a causa os magistrados João Pedro Gebran Neto (relator da Lava Jato na Corte), Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus.