toma lá, dá cá

Enfraquecido, Temer retoma estratégias contra denúncia na Câmara

Segundo deputados, principais pontos passam por escolha de relator “fiel”, desmembramento da denúncia e oferecimento de cargos às lideranças. Mas oposição diz estar confiante na vitória desta vez

Beto Barata/PR
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Temer espera que base consiga desmembrar a denúncia do nome de ministros citados na mesma peça jurídica

Brasília – O presidente Michel Temer, ministros e deputados de sua base realizaram reunião na noite de ontem (24) para discutir estratégias para barrar a tramitação da segunda denúncia contra Temer na Câmara, autorizada na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A reunião teve três pontos principais: o desmembramento da denúncia; maior atenção para com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, envolvido em denúncia do ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, por atuar em um ‘quadrilhão do PMDB’ na Câmara; e repasse sobre qualquer definição de cargos para as bancadas.

Segundo um deputado peemedebista que participou do encontro, a base combinou de trabalhar para desmembrar a denúncia, de forma que a tramitação contra o presidente seja separada das denúncias contra os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), citados na mesma peça jurídica.

O entendimento de todos é que, em separado, ficará mais fácil conseguir livrar o presidente. Também será suspensa qualquer iniciativa de reforma ministerial até serem feitos os arranjos para negociação sobre a votação no plenário da Câmara.

Os parlamentares presentes pediram e, até mesmo, cobraram do governo que procure ficar sempre informado por pessoas próximas ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, que está preso, sobre uma possível delação premiada a ser negociada pelos seus advogados.

O temor da grande maioria, conforme esse político, é de que se surgirem novos fatos ligados a Temer em curto espaço de tempo poderá ficar ainda mais complicada a tramitação da denúncia na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Casa.

Em relação à CCJ, outra preocupação disse respeito à escolha do relator. Foram apresentadas queixas em relação ao relator da primeira denuncia, o deputado Sérgio Zveiter (Podemos-RJ), que na época, mesmo integrando o PMDB, apresentou parecer para que o presidente fosse processado.

Ministros da área de coordenação política do Planalto destacaram que é preciso ser feita a escolha de um nome ligado ao governo, que ao mesmo tempo seja independente, tenha conhecimento jurídico, mas não repita a postura de Zveiter. Vários nomes foram avaliados, mas o grupo ainda não conseguiu chegar a um consenso sobre nenhum deles. 

Arestas nas bancadas

Um terceiro ponto da reunião foi a questão das arestas a serem aparadas entre as várias bancadas partidárias, além da briga instalada na última semana entre DEM e PMDB por conta do convencimento, pelos peemedebistas, de políticos que pretendiam migrar para o DEM a desistirem e optarem pela sigla que ocupa hoje a presidência.

Várias conversas serão agendadas ao longo da semana entre o próprio Temer e líderes da sigla, com a ajuda do ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE).

Está sendo negociada, ainda, uma estratégia para oferecimento de cargos aos que decidirem por votar para livrar o presidente.

Ficou acertado previamente que os cargos do segundo escalão passarão a ser negociados diretamente com as bancadas dos partidos, o que foi visto como uma forma de o governo se livrar de críticas por ter preterido alguém, passando a bola para os principais representantes destas legendas.

Desgaste maior

O sinal que ficou evidente, e que todos já esperavam, nesse encontro, é a preocupação do governo de repetir o “toma lá, dá cá”, adotado para conseguir número de votos suficientes para barrar a segunda denúncia.

A questão é que, com recursos escassos, sem capacidade para liberação de emendas como fez no período da primeira denúncia e com o presidente possuindo cada vez maior rejeição popular, o Executivo tem menos munição para negociar com o Congresso. Sem falar que contabiliza o desgaste de promessas feitas referentes a trocas de cargos e substituições que ainda não foram cumpridas.

“É uma ilusão esse governo achar que vai conseguir. Estamos fortes, a votação da última semana, no plenário da Câmara, que rejeitou o distritão foi exemplo de como a oposição está coesa. Vamos aprovar a denúncia e afastar este presidente”, afirmou o líder das minorias, José Guimarães (PT-CE).

De acordo com ele, a oposição também dará início a várias reuniões e atuará no convencimento aos indecisos, mas as siglas oposicionistas estão confiantes de que, desta vez, estarão mais próximos de uma vitória.