igualdade de oportunidades

Frente Favela Brasil entra com pedido de registro no TSE

Ativistas do movimento negro entraram hoje (30) com o pedido de registro do partido Frente Favela Brasil, que conta com nomes como dos rappers MV Bill, Nega Giza e Rappin Hood como representantes

reprodução/frente favela brasil
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Ativistas com o registro do partido junto ao TSE. À esquerda, o presidente Derson Maia

São Paulo – O movimento negro está articulado na construção de um caminho para amplificar suas vozes dentro da política nacional. O partido Frente Favela Brasil entrou hoje (30) com pedido de registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. “Agora ninguém mais segura a favela, ninguém segura o preto deste país. Estamos aqui para disputar esse sistema político e fazer a diferença, mudando a vida da nossa população”, disse o presidente do partido, Derson Maia.

Estiveram presentes durante o registro diversos voluntários do partido, entre eles, os rappers MV Bill, Rappin Hood e Nega Giza. “A Frente Favela Brasil está constituída como partido. Você, que é favelado, guerreiro e guerreira da periferia tem que estar junto. É real, vamos saber o que acontece dentro da casa dos caras, invadimos o castelo. Vamos tentar consertar o nosso país”, disse Rappin Hood. O partido já conta com diretórios nos 26 estados da federação mais o distrito federal, e já tem CNPJ desde o início do mês.

“Esse é um momento muito importante para todos os moradores de favelas e todos os negros de todas as classes do Brasil. Não queremos virar o barco, queremos simplesmente embarcar e seguir viagem nas mesmas condições dos já embarcados”, disse a co-presidente do partido Patrícia Fonseca. Também co-presidente, Wanderson Maia ressalta que a ideia do partido é lutar por igualdade de oportunidades. “Não nasci em favela, mas como negro, homoafetivo e criado em subúrbio conheço de perto o preconceito”, disse.

“Nossa pauta não pode ser somente a reparação, temos outros desafios que são a formação imediata dos nossos pares, e sobretudo, a conscientização dos negros bem sucedidos de que esse movimento é unificado”, completou Wanderson. Para poder colocar candidatos na disputa das eleições em 2018, o partido precisa coletar 484 mil assinaturas de, no mínimo, um terço dos estados do país.

Para a voluntária do partido, moradora do Morro do Papagaio, em Belo Horizonte, a velocidade para a obtenção das assinaturas não é a prioridade. “É lógico que vamos correr para legalizar o partido e concorrer às próximas eleições, mas o importante mesmo é conscientizar e não apenas mobilizar. Se não for possível em 2018, vamos para 2020. Estamos a mais de 500 anos esperando a chance de participar das decisões deste país. Podemos esperar mais dois anos se for preciso”, disse.

Pesquisa de opinião

A Frente Favela Brasil contratou, em maio, o Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) para contabilizar a aceitação do partido. Um ponto central da pesquisa foi a inserção dos membros do partido MV Bill e Nega Giza na disputa para vagas no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Do total de entrevistados, 27,3% afirmaram conhecer o MV Bill e 33,3% apenas ouviram falar, muito em razão de sua música ou de seu ativismo na Central Única das Favelas (Cufa). A imagem do rapper oscila na opinião pública entre boa e regular, 33,7% e 33,8% respectivamente. Os que afirmaram que poderiam votar nele, declararam que assim fariam, em sua maioria, 16,1%, em razão de sua atuação em projetos sociais. Já os que disseram que não votariam, a grande maioria foi em razão do desconhecimento, 31,3%.

A ideia da criação do partido também foi alvo de questionamentos quanto à qualidade. Do total de pessoas consultadas, 1.208 (20,0%) consideraram a iniciativa ótima e 44,3%, boa. Ruim e péssima ficaram com 4,6% e 6,7%, respectivamente. Outro ponto de análise foi a insatisfação com a política nacional. A avaliação do governo de Michel Temer (PMDB) ficou com 0,4% de ótimo, 3,9% de boa, 21% de regular, 17,9% de ruim e 55,9% de péssimo. Entre os principais motivos da insatisfação, 61,7%, a ampla maioria, disse que a culpa é dos políticos em geral, 8,6% da população, 8,4% dos empresários, 5,1% do ex-presidente Lula e 3,7% do Judiciário.

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