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Debate sobre rumos do Estado e da esquerda transcende agenda eleitoral, diz Boulos

'Não dá para ficar apenas numa discussão de plataforma eleitoral. Debater seriamente um programa para o Brasil e a esquerda não pode ser apenas debater a próxima eleição', diz ativista, sobre o Vamos!

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Trecho de vídeo que convida população a participar dos debates nacionais sobre projeto de país promovido pelo Vamos!

São Paulo – O projeto “Vamos! Sem medo de mudar o Brasil” faz parte de um ciclo de debates nacional para avançar na construção de um programa de esquerda e não é pautado por agenda eleitoral e tampouco é ação partidária. A afirmação é de um dos idealizadores do projeto, Guilherme Boulos, coordenador da Frente Povo sem Medo e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). “É uma iniciativa de movimentos sociais e lideranças políticas, de se pensar um projeto para o país. É necessário fazer esse debate para pensar os caminhos da esquerda. Existe uma crise profunda, de representatividade na política e também de rumos da esquerda. A proposta de fazer esse debate é vinculada a essa percepção”, afirma.  

Além de estabelecer os desafios do campo progressista para os próximos dez ou 20 anos, os objetivos passam pela discussão de como construir um projeto de democratização do sistema político e do Estado brasileiro. “Não dá para ficar apenas numa discussão de plataforma eleitoral. É evidente que as eleições têm o seu papel, ninguém ignora o papel da disputa institucional e eleitoral, mas debater seriamente um programa para o Brasil e a esquerda não pode ser apenas debater a próxima eleição.”

O Vamos! reúne integrantes do Psol, PT, PCB, UNE, CUT, Intersindical, entre outras entidades, além de movimentos de bairros, e está aberto à participação popular. 

O desencanto da juventude brasileira e de toda a sociedade com a política institucional é uma das questões em debate. “Esse sistema político ruiu. A esquerda brasileira, e não apenas lideranças, mas os movimentos sociais, têm o papel de colocar na mesa o problema da crise de representatividade e pensar em alternativas de democratização profunda da sociedade e do sistema político”, diz Boulos. “O conjunto da sociedade não se sente representado por ele porque, de fato, ele não o representa. Esse sistema representa minorias e corporações econômicas.”

Reprodução/YoutubeGuilherme Boulos
‘Antecipar debate sobre 2018 não ajuda o processo de unidade que precisamos construir’, diz Boulos

A iniciativa é também, segundo ele, uma forma de se tentar evitar que esse sentimento de insatisfação com a política não “seja canalizado pela direita como tem sido no Brasil”. “Isso tem gerado a sua forma de farda, com Bolsonaro, a sua forma de terno, com Doria, e a sua forma de toga, com as figuras do Judiciário, que se apresentam como salvadores da pátria.”

Sobre as eleições 2018, Boulos afirma que ainda não é o momento de debater os possíveis cenários que podem se desdobrar a partir do impedimento ou não de Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a presidência da República. “É precipitado discutir qualquer cenário em relação a 2018. Antecipar esse debate não ajuda o processo de unidade que precisamos construir na resistência contra essas reformas brutais e um governo ilegítimo no país.”

Em nota divulgada em sua página no Facebook, a Frente Povo sem Medo promete a realização de debates em praças públicas “em ao menos setes capitais brasileiras, com transmissão ao vivo pela plataforma, entre o fim de agosto e novembro”.

De acordo com a proposta, as pessoas podem sugerir projetos e discutir ideias organizadas em cinco eixos: democratização dos territórios e meio ambiente; democratização da economia; democratização do poder e da política; um programa negro, feminista e LGBT; democratização da comunicação e da cultura.

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