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CPI que investiga desmonte da Petrobras começa na Assembleia do Rio

Venda de ativos da empresa também foi tema de audiência pública no Legislativo da Bahia
por Redação RBA publicado 04/08/2017 11h01, última modificação 04/08/2017 13h23
Venda de ativos da empresa também foi tema de audiência pública no Legislativo da Bahia
Arquivo/EBC
Petrobras sede

Plano de Negócios da Petrobras prevê a venda de US$ 21 bilhões em ativos até 2018

São Paulo – Na primeira sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o desmonte da Petrobras, ocorrida nesta quinta-feira (3) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, trabalhadores, sindicalistas e engenheiros da estatal denunciaram a venda de ativos e os seus impactos para a população. Também devem depor à CPI o atual presidente da Petrobras, Pedro Parente e o diretor executivo da estatal Roberto Moro, além do senador Roberto Requião (PMDB-PR).

"A empresa está sendo desmontada a uma velocidade absurda, a toque de caixa. Inclusive estão fazendo uma série de vendas de ativos estratégicos, sem licitação, e isso, com certeza, vai prejudicar muito não só os trabalhadores da Petrobras", pontua a diretora do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) Natália Russo. 

A CPI é presidida pelo deputado Paulo Ramos (Psol), que defendeu a importância da estatal para a soberania nacional. "O petróleo ainda é, e será por muitos anos, a principal fonte de energia para o mundo, e o Brasil, que vem descobrindo mais reservas de petróleo, não pode, de forma alguma, entregá-lo a interesses escusos e conhecidos", afirma.

O Plano de Negócios e Gestão da Petrobras 2017-2021 prevê a venda de US$ 21 bilhões em ativos até o próximo ano.  O vice-presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, destaca que a gestão Parente promove a desnacionalização da petrolífera. Como exemplo, citou a venda do campo de Carcará à empresa estatal da Noruega. Com estoque estimado em 3 bilhões de barris de petróleo, foi vendida por US$ 2,5 bilhões. "Ou seja, menos de um dólar por barril", ressalta o engenheiro.

Bahia

A venda de ativos e o desmonte da estatal também foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia. Para o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), o desmonte planejado, para o estado, é completo. 

"Passa pelo refino, com a refinaria Landulfo Alves, passa pelos campos produtores de petróleo e gás, no Recôncavo, onde a Petrobras pretende vender à iniciativa privada esses campos, passa pela venda da Fafem, nossa fábrica de fertilizantes no Polo Petroquímico, e também pelo desmonte no setor de energia, com as termoelétricas, e o transporte de derivados de petróleo, com a Transpetro", afirma Radiovaldo Costa, dirigente do Sindipetro-BA.

O ex-governador baiano Jaques Wagner (PT) vai além, e diz que a tentativa de desmonte abarca todo o conjunto da indústria nacional, que tem a Petrobras como centro. "Esse governo que está aí, e aqueles que o apoiam, tem uma decisão, que a cada dia fica mais clara e evidente, que é desmontar toda parte da indústria e da inteligência brasileira, particularmente da Petrobras, que sempre foi o esteio de toda a industrialização brasileira", aponta.