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Ano de perdas

Marco Aurélio Garcia, articulador da política externa 'ativa e altiva', morre de infarto

Ex-assessor especial da Presidência foi um dos principais responsáveis pela política externa dos governos Lula e Dilma, um dos idealizadores do Brics e militante da integração latino-americana
por Redação RBA publicado 20/07/2017 16h45, última modificação 20/07/2017 17h43
Ex-assessor especial da Presidência foi um dos principais responsáveis pela política externa dos governos Lula e Dilma, um dos idealizadores do Brics e militante da integração latino-americana
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Garcia deixa para a história do país o legado de maior protagonismo perante as potências internacionais

São Paulo – O ex-assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia, 76, morreu hoje (20), vítima de infarto. Garcia foi um dos principais articuladores da política externa do país durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que deu mais protagonismo ao Brasil perante o comércio e a política internacional.

Garcia foi também um dos articuladores dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que fortaleceu a atuação desses países perante o bloco dos países do hemisfério norte. Atuando em parceria com Celso Amorim, foi um dos responsáveis pela política externa que ficou conhecida "como altiva e ativa".

Professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e militante socialista, Garcia ajudou a formar gerações de ativistas, estudantes e gestores públicos. Foi secretário de Cultura nas prefeituras de Campinas e de São Paulo.

Em sua última entrevista à RBA, em 20 de maio, Garcia afirmou que o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rosseff em 2016 chegava a uma situação de vulnerabilidade em função das denúncias de Joesley Batista, do grupo JBS, contra o presidente Michel Temer.

“Eles estão hoje confrontados com a necessidade de fazer uma mudança – e essa mudança se torna mais dramática no momento em que a cabeça do governo, o comandante, ainda que seja um comandante medíocre, é atingida por esse episódio (das denúncias contra Temer)”, afirmou na época.

"Hoje é um dia de dor para todos nós, que compartilhamos com ele seus muitos sonhos, histórias e lutas. Era um amigo querido, de humor fino e contagiante, sempre generoso e cheio de ideias, dono de uma mente arguta e brilhante", postou Dilma em sua rede social.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que MAG, como era chamado, era uma "pessoa legal, divertida que vai fazer muita falta no PT". "É muito triste iniciar nossa conversa com essa notícia", disse, durante conferência transmitida ao vivo.

"É uma tristeza. Dificilmente alguém pode escrever a história da América Latina sem falar dele. Foi um dos arquitetos da integração latino-americana e da relação política sul-sul. Muitos países que eu visitei, não conheciam nosso chanceler mas conheciam ele", afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), ao lado do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que completou: "Não teríamos política externa ativa e altiva sem ele. As elites sempre foram subordinadas e colonizadas".

O também senador Jorge Viana (PT-AC) destaca o Garcia como "intelectual e militante apaixonado pela política, perseverante sonhador desde a juventude". "Sempre foi uma referência dentro do PT e um gigante no campo das ideias. Um democrata respeitado  em todo o mundo."

Segundo informações do coletivo Jornalistas Livres, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à notícia da morte de um de seus mais importantes conselheiros "com cinco longos minutos de silêncio". Lula almoçava na casa do jornalista José Trajano depois de ter participado da entrevista em seu canal no YouTube

Ainda ontem, Lula esteve no velório do ex-líder sindical bancário Augusto Campos. Recentemente, o ex-presidente perdeu a mulher Marisa Letícia Lula da Silva, morta em 3 de fevereiro. No último dia 12 de maio, lamentou ainda a morte do professor e escritor Antonio Candido, um dos importantes auxiliares de Lula ao longo da formação do PT.