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"Golpista é golpista"

Lula: 'Razões pelas quais queremos saída de Temer não são as mesmas da Globo'

Para ex-presidente, o que está em jogo é o desmonte da soberania nacional. "Não se pode fingir que a emissora, que tem semeado o ódio, quer o melhor para o país"
por Hylda Cavalcanti, para a RBA publicado 06/07/2017 09h59, última modificação 06/07/2017 11h45
Para ex-presidente, o que está em jogo é o desmonte da soberania nacional. "Não se pode fingir que a emissora, que tem semeado o ódio, quer o melhor para o país"
Ricardo Stuckert / Fotos Públicas
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Lula: 'Não se pode fingir que a Globo, que tem semeado o ódio, quer o melhor para o país'

Brasília – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (5) que o que está em jogo no país com a crise do governo Michel Temer –  o papel do Brasil como Estado soberano – é muito mais grave do que a maior parte das pessoas percebe. Em discurso durante a posse da nova executiva nacional do PT e da senadora Gleisi Hoffmann como presidenta da legenda, Lula observou que a oposição, ao lado dos movimentos sociais e sindical, não quer apenas a saída de Temer.

"Certamente o Rodrigo Maia já está se preparando para ser o próximo presidente da República (pela via indireta). Não podemos esquecer que golpista é golpista. Se a gente não conseguir aprovar uma PEC pelas diretas, nós não vamos dar trégua. Se tiverem que ganhar, que seja pelo voto", disse. O ex-presidente afirmou também que não admite ouvir que o PT é contra o combate à corrupção. "Isto nunca foi verdade, o que não aceitamos é a pirotecnia política que se faz da prisão e investigação seletiva que se tem feito nos últimos tempos."

Lula elogiou a nova presidenta nacional do PT e citou o discurso feito por Gleisi no Senado, no início da semana, no qual ela desconstruiu a fala do senador do PSDB Aécio Neves (MG) – que retornou ao trabalho depois de um afastamento de 45 dias pelo Judiciário, por ter sido grampeado em conversas comprometedoras envolvendo o recebimento de R$ 2 milhões em propina da JBS. "Ela fala com ternura, com voz mansa e ao mesmo tempo não perde o rigor em cada palavra proferida. Não sei dizer se qualquer homem poderia desbancar o Aécio da forma como nossa presidenta conseguiu", destacou.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) e o deputado e ex-ministro Patrus Ananias (PT-MG) foram saudados por Lula pela criado da Frente Parlamentar Mista de Defesa da Soberania Nacional, como forma de resistência ao que chama de desmonte "de tudo o que conquistamos desde a segunda metade do século passado". "Está em jogo é a definição do papel do Estado soberano. É muito grave a gente constatar que estão criando uma base nova na qual o direito será abolido e haverá quase uma relação individual entre o empregado e o seu patrão. Estamos desmontando aquilo que foi feito, a indústria e o que era motivo de orgulho do nosso país, que é a soberania", acrescentou Lula, para quem combate a esse desmonte é o grande desafio da esquerda brasileira.

'Golpista é golpista'

Sobre a crise política e o pedido de abertura de processo por corrupção passiva contra Michel Temer, Lula destacou que vê muita gente "entusiasmada porque o Temer não vai durar muito", mas que existem motivos distintos para o entusiasmo. 

"Ninguém quer mais afastar o Temer do que nós que estamos neste plenário, mas a razão pela qual queremos a saída do Temer não é a mesma razão pela qual a Globo quer a saída do Temer. Nós sabemos por que queremos que ele saia: não queremos as reformas que estão sendo propostas. Certamente o Rodrigo Maia está se preparando para ser o seguidor do golpe e não podemos achar que um golpista é melhor que outro", alertou.

"Não se pode fingir que a Globo, que tem semeado o ódio, quer o melhor para o país. O país não pode ter um canal de televisão que possa dizer quem presta e quem não presta. Temos a obrigação de tentar buscar uma unidade dos setores de esquerda no país. Não vamos dar trégua se não conseguirmos derrubar o Temer e se não conseguirmos construir uma emenda que nos permita realizar eleições diretas", afirmou.

Na avaliação do ex-presidente, o Brasil chegou ao fundo do poço e que é preciso disputar o debate de projeto nacional com a opinião pública. "Temos a obrigação não apenas de fazer discursos, mas de dizer ao povo brasileiro qual a condição para fazer esse país voltar a crescer, voltar a gerar empregos e voltar a ser protagonista no cenário internacional."