No Senado

É uma luta feminista, não só de categoria, diz sindicalista

Dirigente da CUT destaca 'guerreiras' que se mantêm no plenário do Senado contra o projeto de reforma trabalhista

geraldo magela (ag. senado)
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Graça: senadoras guerreiras e a reação do presidente (do Senado) foi deixar as mulheres no escuro, sem nada

São Paulo – Com acessos bloqueados e luz até há pouco cortada, um grupo de senadoras continua em “ocupação” da mesa diretora do Senado, contra o projeto de “reforma” trabalhista (PLC 38), no que a secretária de Relações do Trabalho da CUT, Graça Costa, chama de ações pacíficas como parte de uma luta de classes, para demarcar terreno e garantir democracia. “É uma luta feminista, não só de categoria”, afirma a sindicalista, que está desde as 10h no Senado.

A sessão começou às 11h e foi suspensa uma hora depois. Em seguida, o presidente da Câmara, Eunício Oliveira (PMDB-CE), mandou cortar a luz e desligar o som do plenário, que foi esvaziado, à exceção das senadoras.

A oposição quer garantir a votação e aprovação de pelo menos um destaque, relativo à proibição de gestantes e lactantes em locais de trabalho insalubres. Se conseguirem aprovar uma mudança no texto, o projeto teria de retornar à Câmara, o que o governo tenta evitar. 

Por volta das 17h, Graça se encontrava no Salão Negro, principal entrada do Congresso em ambiente comum às duas Casas (Câmara e Senado). “Está tudo travado”, relata.

“As senadoras guerreiras fizeram esse protesto e a reação do presidente (do Senado) foi deixar as mulheres no escuro, sem nada. Não sai para o diálogo, para a negociação, vai logo para medidas de repressão”, critica Graça. Isso está acontecendo também com um grupo de sindicalistas que se deslocou do plenário principal para o Auditório Petrônio Portela, onde a presidência da Casa pretendia reiniciar a sessão. Para evitar que isso acontecesse, eles decidiram ocupar o local e estão “acuados”, segundo conta a dirigente cutista. “Não têm água, não podem usar o banheiro. Mas estão resistindo”, afirma.

Um senador, José Medeiros (PSD-MT), disse que entrará com representação no Conselho de Ética contra as senadoras, por quebra de decoro parlamentar.

Manifestantes permanecem do lado de fora do Congresso. Eles deverão fazer uma vigília diante da Casa.