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Reforma trabalhista: Marta e Kátia discutem, e Renan vê ‘dia triste’

'Deveríamos nos desfiliar da OIT', disse senadora. Oposição rebate argumento de que projeto ajudará a criar empregos
Publicado por Redação RBA
12:53
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Kátia Abreu e Marta: “Se a senhora está incomodada, retire-se da comissão e deixe outro em seu lugar”

São Paulo – A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado se prepara para votar, no início da tarde de hoje (20), o relatório de Ricardo Ferraço (PSDB-ES) sobre o projeto de “reforma” da legislação trabalhista. A presidenta da colegiado, Marta Suplicy (PMDB-SP), discutiu com a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que sugeriu a saída de Marta. “Se a senhora está incomodada, retire-se da comissão e deixe outro em seu lugar. Trate as pessoas com respeito”, disse Kátia. “Estou tratando”, respondeu.

A oposição rebate o argumento central do governo, de que o projeto ajudará a criar emprego. “O que cria emprego é investimento”, disse Paulo Paim (PT-RS), mostrando inconformismo com o fato de nenhuma emenda ser considerada pelo relator, em estratégia para evitar que o texto retorne à Câmara.

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Entre outros itens, Kátia Abreu criticou a questão do trabalho intermitente, que integra o projeto governista e, segundo ela, é objeto de ressalva da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Trata-se, acrescentou, de uma modalidade em uso na Europa, que tem uma situação diferente da do Brasil, país marcado pela rotatividade de mão de obra. “Aqui há uma atividade muito cíclica de emprego e desemprego”, disse Kátia, sugerindo que o Brasil, nesse caso, se desfilie da OIT.

Ela também atacou a base governista, que anteriormente, na oposição, ajudou a derrubar a presidenta Dilma Rousseff com base em uma “desculpa aleijada, manca”, e agora não se manifesta contra as acusações que envolvem o governo Temer. “Por que não fazem a mesma coisa agora? Por que não sobem à tribuna e fazem uso de sua verborragia?”, afirmou, referindo-se aos governistas como “heróis da honestidade”. “Estamos dando carta branca a um governo que não existe mais.”

Para o líder do PMDB, Renan Calheiros (PMDB-AL), “este é um dia muito triste para o Senado Federal, especificamente para esta comissão, que sempre foi tida na Casa como uma das mais avançadas do ponto de vista da parte mais vulnerável na relação do trabalho”. Ele afirmou sempre ser favorável a uma “atualização” das leis, mas observou, como Kátia Abreu, que o projeto foi mandado do Executivo para a Câmara com sete artigos e saiu de lá com 117. “Vamos ter, no curto e médio prazo, um desemprego alarmante no Brasil”, disse Renan, para quem o país “está desmoronando”.

O senador voltou a propor o adiamento do debate, como o próprio relator havia anunciado assim que surgiram as denúncias do empresário Joesley Batista, do grupo JBS, envolvendo Temer. “Este é um momento muito ruim do parlamento nacional, especialmente desta Comissão de Assuntos Sociais, que vai ficar marcada como, num momento dramático do país, votou contra e revogou direito do trabalhador.” 

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que o projeto deverá estimular contratações. “Não se está abrindo a porteira (de perda de direitos). O que nós estamos fazendo um ajuste para melhorar a situação da empregabilidade no Brasil”, afirmou, citando reportagem do jornal O Globo apontando um estudo que fala em potencial de criação de até 2,3 milhões de empregos, em pouco mais de um ano, com a reforma. “O jornal não é um aliado do governo”, esclareceu.