fora de controle

Para Gilmar Mendes, investigações da Lava Jato ‘expandiram-se demais, além dos limites’

Insatisfação do ministro está ligada a apurações contra juízes, o presidente Michel Temer e aliados políticos

Reprodução/Youtube/Grupo Lide
Gilmar Mendes Lide

Para ministro do STF, investigações devem ter limites: “Não podemos despencar para um Estado policial”

GGN – O ministro do Supremo Tribuna Federal (STF) Gilmar Mendes disse que as investigações da Lava Jato “expandiram-se demais, além dos limites”. A avaliação foi feita durante um evento do Grupo Lide em Pernambuco, na noite de segunda (19). Na palestra, gravada e disponível no Youtube, Gilmar deixa claro que sua opinião está relacionada às apurações que envolvem juízes, o presidente Michel Temer e aliados. 

“Qual o objetivo do inquérito (contra os ministros Marcelo Navarro e Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça)? Vai levar a uma conclusão que mostra um ilícito? Não. O objetivo é constranger o juiz, o tribunal e a magistratura! Expandiu-se demais as investigações, além dos limites. Abre-se inquérito para saber coisas que já se sabe de plano, mas o objetivo é impor medo nas pessoas, desacreditá-las”, disse Gilmar.

“As investigações devem ser questionadas e devem ter limites. Não podemos despencar para um Estado policial. Como também não se pode cogitar de investigações feitas na calada da noite. Arranjos, ações controladas, que têm alvo muitas vezes qualquer autoridade. Ou o próprio presidente da República, por que não?”, acrescentou, em outro momento.

O ministro ainda mandou um recado para os membros da força-tarefa: “Quem quer fazer política, que vá aos partidos. Não façam política na promotoria ou nos tribunais.” 

Gilmar ainda comentou que juízes e membros do Ministério Público Federal (MPF) não deveriam se envolver com política. “Deus nos livre de um governo de juiz ou promotores. Os autoritarismos que vemos aí já mostram que não teríamos um governo, mas sim uma ditadura de juízes ou promotores. Nós não iríamos gerir melhor o dinheiro público. Basta ver decisão que obriga a pagar auxílio-moradia mesmo a juízes que tenham casa onde atuam. Isso custa 800 milhões por ano. Decisão que copia prática já feita no MP. Ninguém cumpre teto, só o Supremo. Vamos confiar a essas pessoas a gestão da coisa pública?”

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