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Jorge Viana pede eleições diretas: 'Sistema político está podre'

Para o senador, o julgamento no TSE da chapa Dilma-Temer não é singular, mas de todo o "atual sistema político eleitoral". Relator do processo vota pela cassação
por Redação RBA publicado 09/06/2017 13h46, última modificação 09/06/2017 14h38
Para o senador, o julgamento no TSE da chapa Dilma-Temer não é singular, mas de todo o "atual sistema político eleitoral". Relator do processo vota pela cassação
Jefferson Rudy/Agência Senado
jorge viana

Jorge Viana: 'Vamos depender da boa vontade de quem tomou de assalto o poder, para devolvê-lo ao povo'

São Paulo – Ao analisar a audiência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa Dilma-Temer, o senador Jorge Viana (PT-AC) afirmou que o julgamento não é apenas sobre os vencedores da eleição de 2014, mas de todo o sistema político. “O sistema político, eleitoral e partidário apodreceu, como o remédio que perdeu a validade. E o remédio que perde a validade perde o poder de curar, e, como se houvesse passado já muito tempo que esse remédio perdeu a validade, ele agora virou veneno”, disse ontem (8), durante pronunciamento no plenário.

O senador declarou que o povo não aguenta mais os sobressaltos de tantos escândalos. “Está na hora de todos nós entendermos que é preciso promover uma grande mudança no nosso país”, declarou. Para Viana, a saída para a crise política no Brasil é a convocação de eleições diretas para a Presidência da República. "Vamos depender da boa vontade dos líderes do Legislativo. Imagina se vamos encontrar boa vontade, daqueles que tomaram de assalto o Palácio do Planalto, para devolver o poder ao povo para decidir quem governo o país."

"Estamos passando da hora de tomarmos uma atitude que possa estar deixando de lado as preferências partidárias, as opções partidárias, os interesses pessoais particulares para pensar o Brasil", concluiu Jorge Viana.

TSE

O relator do julgamento da ação do TSE, ministro Herman Benjamin, concluiu seu voto hoje (9) a favor da cassação da chapa Dilma-Temer. Ele foi o primeiro a votar. Ainda vão se manifestar os ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Admar Gonzaga, Tarcísio Neto, Luiz Fux, Rosa Weber e Gilmar Mendes.

Ao retomar a leitura de seu voto, Benjamin afirmou que não há como investigar o financiamento ilícito de recentes campanhas eleitorais sem investigar a construtora Odebrecht, que, segundo ele, se apropriou do sistema político. 

"A Odebrecht utilizou e abusou do método clandestino de apropriação dos candidatos brasileiros, de quase todos os partidos”, declarou o ministro. "No caso específico da Odebrecht, os (valores) não oficiais superam em muito os oficiais. E isso não foi prática de um único partido, nem só dessa coligação (PT-PMDB). Não vamos imaginar que se trata de um pecado de um único partido ou dois que inventaram essas práticas", acrescentou Benjamim.

Ao se referir ao depoimento em que o próprio ex-presidente da construtora Marcelo Odebrecht contou ter liberado R$ 150 milhões para as eleições presidenciais de 2014, Benjamin classificou o empresário de "o especialista no esquema de corrupção (política)”.

"Marcelo Odebrecht herdou não só uma empresa, mas sim uma cultura de propina e a sofisticou. Ele é a terceira geração de uma empresa que dominou os poderes constituídos no Brasil desde a abertura das portas, lá atrás, ainda na Bahia, com uma pequena empresa", disse o ministro. "Ele era o administrador de um grande grupo econômico e de um dos maiores e mais sofisticados esquemas de corrupção do mundo."

Com informações da Agência Brasil e da Agência Senado