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CONFRONTOS

Deputados protestam contra ação da polícia e suspendem sessão

Mais de 50 deputados que estavam na Esplanada voltaram para o Congresso para protestar e pedir providências em relação a excessos contra as pessoas que tentam se manifestar pacificamente
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 24/05/2017 16h15, última modificação 24/05/2017 18h30
Mais de 50 deputados que estavam na Esplanada voltaram para o Congresso para protestar e pedir providências em relação a excessos contra as pessoas que tentam se manifestar pacificamente
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O que vimos foi uma agressão inominável aos manifestantes e ao povo brasileiro, disse Alice Portugal

Brasília – Um grupo de mais de 50 deputados entrou rapidamente no plenário da Câmara, por volta das 14h50 desta quarta-feira (24), para exigir o encerramento da sessão e protestar contra o clima de guerra que se instalou na Esplanada dos Ministérios depois das 15h, quando policiais começaram a reprimir manifestantes, empunhando armas e jogando gás lacrimogêneo. Os trabalhos foram suspensos, mas ainda não se sabe se serão retomados.

"Não vimos nada de excesso entre os manifestantes para que isso acontecesse. O que vimos foram policiais fortemente armados e fazendo uso de bombas de gás contra pessoas que vieram de todo o país para exercer a democracia. Estive lá e vi o que estava acontecendo. Não falo por terceiros", reclamou a deputada Luiza Erundina (Psol-SP).

Erundina pediu que a sessão seja transformada em sessão de debates diante do caráter da manifestação e do ambiente tenso. "Melhor que discutirmos matérias legislativas, o dia hoje tem de ser de debate sobre a crise política e tudo o que está acontecendo no país", acrescentou. A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), que estava num caminhão ao lado dos dirigentes sindicais e presenciou o confronto entre policiais e cidadãos, também discursou e definiu o que aconteceu como "um verdadeiro ataque".

“O que vimos foi uma agressão inominável aos manifestantes e ao povo brasileiro como um todo. A manifestação vinha sendo realizada de forma robusta, com mais de 120 mil pessoas quando começou o tumulto, provocado pelos policiais com o argumento de que havia um grupo de baderneiros infiltrados. Esta Casa não pode continuar trabalhando como se nada estivesse acontecendo e ignorar acontecimentos vistos a poucos metros do Congresso. Sabemos que isso foi ato de mercenários contratados para estragar a manifestação”, acusou ela.

A deputada disse ainda que os parlamentares vão garantir o debate sobre a crise e por realização de eleições diretas para o substituto do presidente Michel Temer. Segundo ela,  a discussão sobre tudo o que acontece no país "continuará sendo divulgada e tratada do ponto de vista do Legislativo".

Também o líder do PDT, André Figueiredo (CE), que chegou a ser atingido por spray de pimenta, afirmou que não considera justo o que aconteceu, diante das reprimendas de representantes de forças de segurança. "O que está havendo é uma agressão desproporcional que presta desserviço à população brasileira. Se por acaso houver 10 ou 100 pessoas querendo tumultuar, que os policiais vão em cima destas pessoas e não que façam a repressão da forma como estão agindo. É impensável continuarmos esta sessão diante de fatos tão graves acontecendo lá fora", acusou.

Alice Portugal apresentou um requerimento para encerrar a sessão em solidariedade aos manifestantes. No momento os deputados não deixam os trabalhos terem continuidade, aos gritos de “Fora Temer”. Os oposicionistas subiram na mesa diretora, empunhando uma faixa e interromperam os trabalhos aos gritos de "Diretas Já, Queremos Votar". Na prática, a mesa diretora tenta chegar a um acordo com os oposicionistas, na tentativa de dar continuidade aos trabalhos.

 

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