Prazo

Defesa de Lula pede adiamento de depoimento a Moro. Decisão deve sair hoje

Advogados do ex-presidente pedem a suspensão do processo 'por período razoável' para poder analisar massa de documentos recebida da Petrobras, juntada recentemente ao processo

Teixeira Martins Advogados
Documentos Defesa Lula

Defesa teve menos de duas semanas para avaliar mais de 100 mil páginas de documentos advindos da Petrobras

São Paulo – A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu o adiamento do depoimento ao juiz Sérgio Moro, que alega não ter tido tempo suficiente para analisar novos documentos que foram juntados ao processo. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) deve decidir sobre o pedido nesta terça-feira (9).

Os procuradores acusam o ex-presidente de ser dono de um apartamento em Guarujá, recebido em troca de ter beneficiado a empreiteira OAS em três contratos com a Petrobras. A defesa, então, solicitou acesso aos documentos da estatal relacionados aos contratos. 

Os advogados de Lula afirma que a documentação, solicitada há cerca de seis meses, só foi juntada ao processo entre 28 de abril e 2 de maio deste ano e somam mais de 100 mil páginas, o que inviabilizaria a análise do material até o momento do depoimento, anteriormente previsto para o dia 3 de maio, depois adiado para esta quarta-feira (10). 

“É materialmente impossível a defesa analisar toda essa documentação até o próximo dia 10, quando haverá o interrogatório do ex-presidente e será aberto o prazo para requerimento de novas provas”, alegou o advogado Cristiano Zanin Martins. 

A defesa requer a suspensão do processo por “período minimamente razoável”, para que tenha tempo hábil de tomar pleno conhecimento da documentação, e assim não reste comprometido do direito de defesa. Como o pedido de acesso foi feito com antecipação, a os advogados de Lula alegam que não podem ser acusados de querer protelar o processo. 

Na segunda-feira (8), o juiz Sérgio Moro também proibiu que os advogados de Lula façam a gravação em vídeo do depoimento do ex-presidente, visando se contrapor a eventuais vazamentos seletivos do seu conteúdo. A defesa de Lula, além de especialistas do Direito, como a Frente Brasil de Juristas pela Democracia, contestam a proibição, alegando que a gravação de depoimentos é prerrogativa dos defensores.