Mobilização

Acampamento Jornada pela Democracia inicia atos de apoio a Lula

Manifestantes de diversos estados estão em terreno próximo à Rodoferroviária de Curitiba. Vigília inter-religiosa começa nesta terça-feira (9) à noite, na catedral da cidade

Gabriel Bicho/Mídia NINJA
Acampamento_Curitiba

Barracas começaram a ser montadas logo cedo e, horas depois, mais de mil pessoas já estavam no local

São Paulo – Cerca de 1.500 pessoas já estavam na tarde desta terça-feira (9) no acampamento da Jornada pela Democracia, em Curitiba, criado para apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no depoimento que dará amanhã (10) para o juiz Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato. Após a proibição de acampamentos em ruas e praças da capital paranaense, membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Frente Brasil Popular levantaram tendas e barracas em um terreno próximo à Rodoferroviária da cidade, na Rua Getúlio Vargas.

Além de prestar solidariedade ao ex-presidente e denunciar o “Estado de exceção” instalado no Brasil, os manifestantes também pretendem criticar as propostas de reforma trabalhista e previdenciária enviadas ao Congresso Nacional pelo governo de Michel Temer. Para isso, uma série de atividades está planejada durante os dois dias de acampamento, incluindo debates, atividades culturais e uma vigília inter-religiosa na catedral de Curitiba na noite desta terça.

“É um bonito movimento de resistência e solidariedade ao presidente Lula, um movimento pacífico”, afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), presente no acampamento durante a manhã de hoje, em depoimento ao coletivo Jornalistas Livres. Ao lembrar da divulgação ilegal do áudio entre o líder petista e a ex-presidenta Dilma Rousseff na véspera da posse de Lula como ministro da Casa Civil, e da condução coercitiva do ex-presidente, ambas em março de 2016, o senador afirmou que a Operação Lava Jato “sempre operou em cima de um timing político”.  

“O problema agora é que o Lula não para de subir nas pesquisas, lidera em todos os cenários e eles não deram esse golpe pra deixar que ele ganhe depois. Estão aqui tentando tirar o Lula do jogo das próximas eleições e nós não aceitamos isso. Acho que vai ser importante a presença aqui em Curitiba das pessoas demonstrando solidariedade. Amanhã vai ser o dia para a gente desmascarar de uma vez por todas esse excesso de perseguição contra ele”, afirmou Lindbergh.

Em entrevista coletiva concedida hoje, o secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, informou que 36 ônibus pediram autorização para entrar no estado e, destes, 20 já chegaram a cidade. Outros 24 são aguardados até amanhã.

Apreensão em ônibus

Em entrevista a jornalistas, o secretário estadual de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, afirmou que foram apreendidos facões e foices em ônibus de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que se dirigia à capital paranaense. Não houve detenções porque o porte de tais objetos não é crime.

A Frente Brasil Popular, em nota, informou que “apenas um utensílio de cozinha e outro de acampamento foram apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no interior dos ônibus das caravanas que se dirigiam à Curitiba”.

“É muito diferente do que propagandeou a Secretaria Estadual de Segurança do Paraná. Isso porque apenas uma enxada e uma faca de cozinha fazem parte dos itens encontrados na revista realizada a cerca de 20 ônibus, na entrada da capital. São itens necessários às cozinhas instaladas para alimentação”, diz a nota. “Reafirmamos novamente o caráter pacífico e organizado da vinda de movimentos sociais a Curitiba – tanto que as caravanas se dispuseram integralmente à revista, que atrasou em cerca de duas horas as atividades na capital.”

Manifestação nas redes

O Instituto Lula está organizando uma manifestação digital em apoio ao ex-presidente na madrugada desta quarta-feira. A previsão é que o ato digital se inicie às 0h10.

Com informações de Jornalistas Livres e Brasil de Fato