futuro incerto

Molon diz que condenação de Cunha amplia temor entre citados na Lava Jato

Deputado da Rede afirma que condenação de ex-presidente da Câmara confirma luta da oposição para que Cunha respondesse pelos crimes praticados. 'Tomara que ele conte tudo o que ele sabe'

Lula Marques/AGPT
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Cunha foi condenado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

São Paulo – A primeira condenação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no âmbito do processo da Operação Lava Jato, repercutiu entre os deputados federais. Representantes da oposição na Câmara aprovaram a decisão e esperam que Cunha faça delação premiada a fim de reduzir sua pena. O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, condenou hoje (30) o ex-presidente da Câmara dos Deputados a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Além da reclusão, foi fixada uma multa de mais de R$ 250 mil a ser paga pelo ex-deputado.

“A sensação que nós temos é a de que nós tínhamos razão quando lutávamos pra que ele respondesse pelos crimes que ele praticou e pra que fosse cassado. Foi uma luta muito dura aqui na Câmara dos Deputados, mas essa primeira condenação prova que nós tínhamos razão, que nós fizemos bem e que ele agora vai responder pelo que fez”, disse Alessandro Molon (Rede-RJ), que é a favor de que Cunha faça delação premiada. “Tomara que ele conte tudo o que ele sabe, pra que todos aqueles que cometeram ilícitos sejam também responsabilizados, e a gente possa limpar o Parlamento e começar uma nova era”, declarou.

Para Molon, a condenação pode provocar um temor entre os parlamentares citados no processo da Lava Jato e, consequentemente, uma reação no Congresso. “Para aqueles que praticaram crimes e que temem pela sua responsabilização, isso vai aumentar a preocupação e provavelmente vai aumentar a tendência a uma reação da Casa às medidas que estão levando à condenação de parlamentares e de políticos que tenham cometido crimes. Por isso, é muito importante que a sociedade permaneça atenta e que a gente aqui dentro continue lutando pra evitar qualquer retrocesso, qualquer medida de sabotagem ou retaliação às investigações da Operação Lava Jato”, declarou.

“É a confirmação do que nós apuramos aqui. Quando muitos dos colegas parlamentares não acreditavam no envolvimento e na culpa do Eduardo Cunha, nós sabíamos o tempo todo do seu envolvimento e da sua relação. E esse é o primeiro de oito processos”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Ele também manifestou expectativa em relação a uma possível delação premiada. “Todos nós sabemos que ele sabe muita coisa, e conservou muita coisa, esperando uma absolvição, uma pena mais branda”, declarou.

Visão do aliado

Carlos Marun (PMDB-MS), aliado de Cunha, disse que não pode avaliar a decisão do juiz. “Não conheço o mérito da sentença, não posso fazer avaliação antecipada. Durante a sua cassação, pelos motivos que levaram à sua cassação aqui na Câmara, eu tive um posicionamento. Tenho certeza de que esta condenação não vem pelos motivos que balizaram a cassação”, afirmou.

Marun evitou emitir opinião sobre a pena de 15 anos e reforçou sua defesa a Cunha. “Eu continuo achando estranho o fato de ele ser o único dos agentes políticos com mandato presentes na primeira lista de Janot a ter uma condenação. Cadê os outros? (…) Eu até agora nada vi que pudesse caracterizá-lo como um dos chefes do ‘Petrolão’. Eu acredito que tem chefe, ou chefas, soltos, mas cabe à Justiça estabelecer sua ordem de prioridade”, disse o parlamentar.

O juiz Sérgio Moro participa nesta tarde da comissão especial do Código Penal, na Câmara, para falar sobre combate ao crime organizado, entre outros assuntos relacionados às propostas de mudanças nas regras na legislação penal.

Com informações da Agência Brasil

 

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