Assembleia paulista

Deputado do Psol pede abertura de CPI para analisar ‘escândalo da Dersa’

Segundo Raul Marcelo, o ex-diretor da empresa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, 'cita que tem uma casa em São Paulo que era usada para guardar euros e dólares para o PSDB'

dersa/divulgação
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Obra da Dersa no litoral norte de SP. Denúncias de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro devem ser investigadas

São Paulo – O deputado estadual Raul Marcelo (Psol) protocolou ontem (9), na Assembleia Legislativa de São Paulo, requerimento com pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito “para investigar desvios de recursos públicos, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes e infrações administrativas cometidas no âmbito do Estado de São Paulo, por empreiteiras contratadas e subcontratadas pela Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) e agentes públicos eventualmente envolvidos no período de 2007 e 2012”.

“Segundo o doleiro Adir Assad, há contratos fictícios no montante de um bilhão e trezentos milhões de reais com o governo de São Paulo. A Dersa era responsável por esses contratos fictícios para lavar dinheiro e desviar dinheiro para propina para agentes políticos”, diz o deputado. Assad negocia um acordo de delação premiada na qual daria detalhes desses contratos. 

Segundo Raul Marcelo, a notícia que “fechou a convicção” para a necessidade de propor a CPI é a informação de que o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, prepara uma delação premiada para denunciar esses contratos. “Ele cita até que tem uma casa em São Paulo que era usada para guardar euros e dólares para o PSDB, fruto de contratos fraudados dos governos do Serra e do Alckmin.” Paulo Preto estaria disposto a revelar informações em delação depois de ser citado por delatores da construtora Odebrecht.

Ainda de acordo com Raul Marcelo, o Ministério Público Federal vai analisar as questões penais. “Portanto, a Assembleia tem obrigação de analisar as questões civis e administrativas implicadas num escândalo dessa envergadura”.

Para a CPI ser instalada são necessárias as assinaturas de 32 dos 94 deputados da casa. Diante da dificuldade de obter as assinaturas, já que a base do governador Geraldo Alckmin tem ampla maioria dos parlamentares, Marcelo afirma que, a partir da semana que vem, será iniciada “uma mobilização forte para poder instaurar o procedimento”.

Argumentação

No requerimento, o deputado do Psol argumenta que “o operador financeiro Adir Assad propôs um acordo de delação premiada à Lava Jato no qual afirma ter repassado cerca de R$ 100 milhões para Paulo Vieira de Souza (Paulo Preto), ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), entre 2007 e 2010, na gestão José Serra (PSDB) no governo de São Paulo”.

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O deputado estadual pelo Psol-SP Raul Marcelo

O parlamentar acrescenta no documento que, na tratativa com a Operação Lava Jato, “Assad admitiu ter usado suas empresas de fachada para lavar recursos de empreiteiras em obras viárias na capital e região metropolitana de São Paulo, entre elas a Nova Marginal Tietê, o Rodoanel e o Complexo Jacu-Pêssego”.

Assad está preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, desde agosto do ano passado. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, as empresas de Assad movimentaram cerca de R$ 1,3 bilhão provenientes de grandes companhias. 

De acordo com a reportagem, “a quebra de sigilo das empresas do operador de propina Adir Assad revela que empresas dos filhos de José Yunes, amigo e ex-assessor de Michel Temer, pagaram ao menos R$ 1,2 milhão para firmas de fachada”.