Você está aqui: Página Inicial / Política / 2017 / 02 / Movimentos sociais defendem mandato de vereadora atacada pelo MBL

desrespeito

Movimentos sociais defendem mandato de vereadora atacada pelo MBL

Integrantes de movimentos ocupam as galerias da Câmara paulistana em apoio a Juliana Cardoso, hostilizada por militantes e pelo vereador Fernando Silva (DEM), conhecido como Holiday
por Gabriel Valery, da RBA publicado 15/02/2017 19h34, última modificação 16/02/2017 10h09
Integrantes de movimentos ocupam as galerias da Câmara paulistana em apoio a Juliana Cardoso, hostilizada por militantes e pelo vereador Fernando Silva (DEM), conhecido como Holiday
reprodução/tt/facebook
juliana e muleque do mbl.jpg

Fernando Silva (DEM) está em seu primeiro mandato e Juliana Cardoso (PT), no terceiro

São Paulo – O expediente da Câmara Municipal de São Paulo começou tumultuado na tarde de hoje (15). Após a abertura da sessão, a vereadora Juliana Cardoso (PT) começou pedindo silêncio aos presentes nas galerias. Na sequência, Eduardo Suplicy (PT) reiterou o pedido e foi prontamente atendido. Então, o vereador, o mais votado da cidade nas últimas eleições, se dirigiu ao novato Fernando Silva Bispo (DEM), conhecido como Fernando Holiday. Brevemente, Suplicy pediu ao militante do Movimento Brasil Livre (MBL) que respeitasse todos os vereadores da Casa.

Fernando Silva levantou de sua mesa e afirmou para Suplicy, de braços abertos: “Nunca respeitei, nem vou respeitar”, referindo-se a partidos que pensam de forma distinta da sua. O tumulto nas galerias foi grande, o que obrigou a suspensão da sessão por cinco minutos, a mando do presidente da mesa, 1º vice-presidente da Casa, Eduardo Tuma (PSDB). O tucano, antes de declarar a suspensão, alertou Fernando sobre o fato de que Suplicy é um político histórico e merece respeito.

O desrespeito de Fernando Silva foi o motivo das galerias estarem lotadas. Integrantes de movimentos sociais, especialmente mulheres, estavam ali para defender o mandato de Juliana Cardoso. Na última sexta-feira (10), Fernando Silva orquestrou duas invasões em gabinetes do PT, onde vereadores e lideranças do partido, como o senador Lindbergh Farias (RJ), realizavam reuniões de trabalho. De acordo com relatos de presentes, a intenção foi de provocar os petistas. As invasões foram confirmadas pela Guarda Civil Metropolitana.

“O fato foi, sobretudo, um grande desrespeito à Câmara Municipal da maior cidade brasileira e à democracia”, disse Juliana. Após os ataques, Fernando Silva ainda protocolou um pedido de cassação à vereadora petista, que foi recebido com estranheza. Esse conjunto de fatos levou os movimentos a realizar hoje um “abraço” simbólico na vereadora, que desceu de seu gabinete antes da sessão para conversar com os presentes.

reprodução/facebook mbl ataca.jpg
Juliana e sua família foram alvos de ataques nas redes sociais

“Estamos aqui em repúdio a esse vereador filhote do MBL, acostumado a bater em estudantes. Foi um dos movimentos que mais atuou de forma misógina e fascista contra a presidenta Dilma. Isso tem a ver com o governo Michel Temer (PMDB), que eles apoiam. Todos lembram como esse movimento golpista atuou. Isso que vemos aqui é parte do que vemos em todo o país. Eles semeiam ódio, fascismo e agora fazem de vítima a Juliana. Esse 'fascistinha' não deveria estar aqui, que não é lugar de racista misógino”, afirmou Sônia Coelho, da Marcha Mundial de Mulheres.

Também presente, o ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex-ministro Luiz Marinho criticou a forma com que Fernando Silva pretende fazer política. “Esse menino precisa estudar, ouvir conselhos e aprender que democracia exige respeito às regras, à organização dos partidos, dos movimentos sociais. Esse menino não passa de um filhote da ditadura militar que deseja a brutalidade contra mulheres, contra minorias e contra quem pensa diferente. É a visão única e a pregação do ódio”, disse. “Ele não está preparado para representar o povo. Aqui, ele precisa ser cassado”, completou.

“Esse menino precisa estudar, ouvir conselhos e aprender que democracia exige respeito às regras (…) Aqui, ele precisa ser cassado”, diz Luiz Marinho

Já Suplicy ressaltou a importância da solidariedade a Juliana. “Tenho convivido com ela e observado sua vontade de tão bem representar mulheres e o povo de São Paulo para a construção de uma cidade mais justa. Me surpreendi quando li em uma reunião com outros vereadores que o MBL afirmou não respeitar partidos de esquerda. Dizem que são partidos que não querem democracia. Ora, nós sabemos que o estatuto do PT desde 1980 assegura a defesa da democracia e do respeito à livre expressão. Sou entusiasta destes princípios e luto ao longo de minha vida por eles.”

“Vamos demonstrar ao Holiday que ele precisa sim respeitar os partidos e o que cada vereador desta Casa tem a dizer. Seria bom também que ele possa ler as pesquisas divulgadas hoje por uma organização empresarial que afirma: Luiz Inácio Lula da Silva ganha de todos os potenciais adversários no primeiro turno para presidente do Brasil. Qualquer adversário”, completou Suplicy, um dos fundadores do PT.

divulgação juliana e suplicy.jpg
'Vamos demonstrar ao Holliday que ele precisa respeitar os partidos e o que cada vereador tem a dizer', disse Suplicy

Juliana, por sua vez, pediu cuidado diante das manipulações do MBL. “O que aconteceu comigo é uma estratégia presente no manual do MBL que é acabar com a esquerda. Essa ação começou com o impeachment de Dilma, quando colocaram mentiras como verdades, sem provas, apenas opiniões. Precisamos de cautela.”

Por fim, a vereadora se emocionou ao falar da estratégia do MBL de ofender familiares, inclusive crianças, para atingir opositores. “Entraram no meu Facebook e em fotos dos meus filhos, Maria Clara e Luiz Eduardo, fizeram todo tipo de provocação. Isso não pode acontecer. Não podemos deixar eles ultrapassarem a questão política para a pessoal. Por isso é importante a presença de todos, para pedirmos a cassação imediata deste moleque”, afirmou.