Denúncias

‘Aécio só não é citado na Carta de Pero Vaz de Caminha’, diz deputada de Minas

'São possíveis irregularidades cometidas por um ex-governador de Minas e que pode ser candidato à presidência, uma liderança nacional. Que isso seja apurado', diz Margarida Salomão

Edilson Rodrigues / Agência Senado
Aécio

“Tudo o que diz respeito a Aécio, ao PSDB, a Alckmin, está em banho-maria”, diz deputada

São Paulo – “Como costumo dizer, Aécio só não é citado na Carta de Pero Vaz de Caminha.” Com essa ironia, a deputada federal mineira Margarida Salomão (PT) comenta as denúncias contra o senador Aécio Neves (PSDB), seu conterrâneo, a mais recente das quais envolvendo a delação premiada do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, à Lava Jato. O delator disse ter se reunido com o senador tucano e negociado um esquema de propina relacionado às obras da Cidade Administrativa.

“Nós que fazemos política em Minas conhecemos um grande volume de denúncias contra Aécio, algumas das quais protocoladas junto à Procuradoria-Geral da República e ao STF. Infelizmente, o aparelho jurídico e policial que demonstrou tanta energia em buscar alegadas irregularidades cometidas pelas lideranças do PT, com relação a Aécio têm sido absolutamente lânguidas e desanimadas”, continua Margarida.

Na avaliação da deputada, entre as denúncias contra o senador, como a construção do aeroporto particular – com dinheiro público – na cidade de Cláudio, no Centro Oeste de Minas, a mais grave é a construção da Cidade Administrativa. “Um imenso projeto arquitetônico assinado pelo (Oscar) Niemeyer, realizado por um estado quebrado e, segundo alegações, com alto volume de superfaturamento.” Inaugurada em 2010, durante a gestão estadual de Aécio, a Cidade Administrativa, sede do governo mineiro, custou R$ 2,1 bilhões.

Segundo as denúncias divulgadas, inclusive em veículos da grande mídia, um tesoureiro de Aécio, Oswaldo Borges da Costa, seria responsável pela arrecadação dos recursos do esquema junto às empreiteiras, segundo o delator.

Margarida afirma esperar que, com “a intensificação de denúncias”, inclusive as vindas da Odebrecht, o caso Aécio mereça a atenção devida. “São possíveis irregularidades cometidas por um ex-governador de Minas e que pode ser candidato à presidência, uma liderança nacional. Que isso seja apurado com o mesmo rigor e atenção como têm merecido as denúncias cujo alvo são lideranças do PT, algumas das quais infundadas.”

Margarida afirma que, entre essas, é muito emblemático o caso do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. “Ele sofreu condução coercitiva num período antes do primeiro turno das eleições municipais, e agora vêm dizer que o ex-ministro é inocente. A disparidade de tratamento é escandalosa. O caso de Aécio no STF está em banho-maria. Tudo o que diz respeito a Aécio, ao PSDB, outras envolvendo denúncias pesadas contra o governo Alckmin em São Paulo, por exemplo, relacionadas a merenda escolar e metrô, tudo está em banho-maria”, diz a parlamentar.

Mantega foi alvo de investigação pela Operação Zelotes. Em maio de 2016, ele foi levado a prestar depoimento em condução coercitiva e sua residência foi objeto de mandado de busca e apreensão.

Na semana passada, Mantega foi excluído das acusações pela Polícia Federal. A delegada Rafaella Vieira Linhas Parca não encontrou indícios contra o ex-ministro, que teve os sigilos bancário e fiscal quebrados. Ele era acusado de modificar decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a favor de uma empresa.