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No aniversário de São Paulo, movimentos sociais protestam contra retrocessos de Doria

Evento chamado de 'cartão de visita ao governo Doria' denuncia ações higienistas do prefeito, e políticas sinalizadas para saúde, educação, mobilidade urbana, ambulantes e população em situação de rua

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
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Protesto é convocado pela Central de Movimentos Populares

São Paulo – Movimentos sociais realizam nesta quarta-feira (25), dia do aniversário de 463 anos da fundação da cidade de São Paulo, um protesto contra a gestão do prefeito João Doria (PSDB). A concentração está marcada para começar às 9h, na Praça da Sé. E o objetivo é mandar um primeiro recado de diversas organizações populares que veem com preocupação as ações de retrocesso e higienistas adotadas pelo tucano após pouco mais de três semanas de governo. As políticas sinalizada pela gestão para áreas da saúde, educação, mobilidade urbana, ambulantes e população em situação de rua são os principais alvos do protesto.

A manifestação é organizada pela Central de Movimentos Populares (CMP), o Levante Popular da Juventude e a Marcha Mundial das Mulheres. Segundo o coordenador da CMP, Raimundo Bonfim, o prefeito Doria é “enganador”. “Suas primeiras medidas são semelhantes às realizadas em 1902, pelo prefeito do Rio de Janeiro Pereira Passos, que em nome do embelezamento da cidade praticou atrocidades contra a população pobre, com ações higienistas, como as que Doria está adotando contra os moradores em situação de rua, dependentes químicos e trabalhadores ambulantes e ao que ele considera como feio”, criticou, referindo-se à guerra do prefeito de contra grafites ao longo da Avenida 23 de Maio – reconhecidos mundialmente como forma de expressão artística urbana.

A CMP afirma que o ato tem como objetivo denunciar que as atenções de Doria estão voltada aos interesses do mercado. “O que se mostra para os próximos anos é um total retrocesso nas políticas para mulheres, da igualdade racial, da população LGBT e da mobilidade urbana.”

Outras pautas levantadas pelo movimento são a falta de proposta para a construção de moradia popular, as alterações feitas no bilhete único, a perseguição aos ambulantes e os cortes nos benefícios aos alunos da rede municipal de educação. O prefeito, que tem dedicado os primeiros dias de governo a gastar recursos de marketing, já anunciou corte no programa Leve Leite por falta de verbas.