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Debate avalia derrotas da esquerda em 2016, saídas para o futuro e papel do PT

Aldo Fornazieri, Valter Pomar, Marcos Nobre e Natália Szermeta discutem a construção de uma frente democrática e progressista no Brasil pós-impeachment
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 21/10/2016 15h57, última modificação 27/10/2016 09h39
Aldo Fornazieri, Valter Pomar, Marcos Nobre e Natália Szermeta discutem a construção de uma frente democrática e progressista no Brasil pós-impeachment
reprodução youtube
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Pomar: "Polarização PT/PSDB prossegue, não foi eliminada. O PT continua chamado a cumprir um papel”

São Paulo - A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp) realiza, às 19h de hoje (21), debate com o tema "Prévias populares para 2018 – derrota das esquerdas e organização da frente democrática e progressista". Participam do evento Aldo Fornazieri, professor da Fespsp e organizador; Valter Pomar, dirigente do PT, da tendência Articulação de Esquerda; Marcos Nobre, cientista social e filósofo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e Natália Szermeta, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em São Paulo.

Fornazieri explica que o objetivo do debate é discutir a derrota, não só do PT, mas da esquerda em geral nas eleições municipais, tendo em vista também o impeachment de Dilma Rousseff. “O objetivo, em primeiro lugar, é fazer um balanço sobre isso. O segundo objetivo é indicar saídas”, diz.

Segundo ele, um dos pontos centrais da discussão é a ideia da construção de uma frente democrática e progressista no Brasil pós-impeachment. Outro é o que um grupo de 60 a 80 professores universitários chama de “prévia”. A ideia da “prévia” é abrir um processo de filiação partidária e não partidária e se buscar um compromisso dos partidos de esquerda para encontrar um candidato presidencial e um vice para as eleições de 2018.

A proposta é de que participem pessoas não filiadas a partidos políticos. “Seriam indivíduos, filiados aos movimentos sociais e assim por diante. Poderíamos iniciar esse processo, mas evidentemente dependeria de os partidos aceitarem”, observa Fornazieri. Ele diz que, ao mesmo tempo, o processo serviria para organizar uma frente e discutir um programa tendo em vista 2018.

Polarização

Valter Pomar diz que vai fazer um balanço em caráter individual, e não como representante da Frente Brasil Popular. A análise do dirigente do PT vai se concentrar na derrota eleitoral de 2016 com ênfase no papel do partido e a polarização com o PSDB.

“A derrota, que é do PT e do conjunto da esquerda, é uma vitória do PSDB e do conjunto da direita. Isso é importante porque, na minha opinião, a polarização PT/PSDB prossegue, não foi eliminada. O PT continua chamado a cumprir um papel”, avalia Pomar. “Se ele não responder a esse chamado de maneira adequada, o que vai decorrer disso não será, no curto prazo, uma superação do PT por outra esquerda. Vai acontecer uma nova e mais profunda vitória do PSDB.”

Para ele, são fundamentais as decisões que o PT vai tomar. “A derrota que o PT sofreu o obriga, gostando ou não, a ter atitude diferente em relação aos outros setores da esquerda. O que pode fazer a diferença na atitude do PT é ele reconstruir os laços com a classe trabalhadora em geral e com os movimentos sociais em particular.”

Pomar avalia que não está claro o que os outros setores da esquerda brasileira pensam a respeito do papel do PT. “Alguns consideram que o partido não tem mais nenhum papel como protagonista. Outros setores continuam concentrando suas críticas ao PT, como se estivéssemos no momento anterior. E há ainda os que tratam o PT com extremo sectarismo. Portanto, não está claro para mim qual vai ser a postura dos outros setores da esquerda frente ao PT. Isso está em discussão.”

Ontem (20), em debate na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o ex-assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, defendeu que o PT e a esquerda, precisam, sim, fazer uma "análise crítica do país e das responsabilidades que nossos governos, nossos partidos, nossos sindicatos têm no (atual) processo". No entanto, ele ressaltou que essa autocrítica deve ser autônoma e com pautas da esquerda progressista. "A autocrítica, vamos fazê-la sem que seja imposta a nós a agenda conservadora que querem nos impor."

Para Fornazieri, os partidos políticos, enquanto instituição, estão com dificuldades em entender o atual processo político e sua complexidade. "A esquerda partidária tem uma dificuldade enorme de entender o que está acontecendo. Fica presa aos parâmetros do partido, sendo que tem uma energia social na juventude, nos movimentos das mulheres, nos movimentos sociais, diversos e plurais, nas periferias, que não estão contempladas nos partidos", analisa o professor da Fespsp.

"E tem uma outra esquerda, que está fora dos partidos, que está compreendendo muito bem o que está acontecendo. O debate sobre o futuro abrange também as formas de organização, porque as formas partidárias que aí estão petrificadas não são capazes de abarcar essa riqueza social", acrescenta Fornazieri.

Serviço

Debate na Fespsp: "Prévias populares para 2018 – derrota das esquerdas e organização da frente democrática e progressista", às 19h no auditório da Fundação, rua General Jardim, 522, São Paulo.


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