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Novas eleições são defendidas por 61%, diz pesquisa

A maior base de apoio para a volta de Dilma concentra-se no Nordeste, onde 32% acreditam que seu retorno seria o mais benéfico para o país
por Redação RBA publicado 05/08/2016 09h53, última modificação 05/08/2016 14h53
A maior base de apoio para a volta de Dilma concentra-se no Nordeste, onde 32% acreditam que seu retorno seria o mais benéfico para o país
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Os jovens são os maiores entusiastas da proposta de novas eleições (68%) e os que menos apoiam Michel Temer (13%)

CartaCapital – Para 61% dos entrevistados, seria melhor para o Brasil se novas eleições fossem convocadas antes de 2018, segundo pesquisa CartaCapital/Vox Populi. Os questionamentos foram respondidos por 1.500 pessoas em 97 municípios de todo o Brasil, entre 29 de julho e 1º de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

O índice de 61% é o mesmo verificado pelo instituto em abril, logo após a Câmara aceitar o pedido de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff.

O maior entusiasmo pela convocação de novas eleições está no Centro-Oeste/Norte (66%), seguido do Sul (64%) e Sudeste (62%), e a menor adesão (57%), no Nordeste. O apoio à volta de Dilma ao governo foi de 21% para 18% em todo o país, enquanto subiu a opção de Temer permanecer na presidência (11% para 17%).

A maior base de apoio para a volta de Dilma concentra-se no Nordeste, onde 32% acreditam que seu retorno seria mais benéfico para o país, em vez da permanência do interino ou da convocação de um novo pleito. A região é historicamente mais favorável às gestões petistas.

Entre os residentes nas regiões Centro-Oeste/Norte e Sudeste, o amparo à volta da presidenta é defendido por 14% da população. O menor índice está no Sul, onde apenas 9% defendem essa proposta. A região Sul é também a que mais apoia a preservação de Michel Temer como presidente (23%), seguida do Sudeste (21%) e Centro-Oeste/Norte (16%). A menor adesão à permanência do interino está no Nordeste, onde 9% apoiam a proposta. A margem de erro é de dois pontos.

A pesquisa CartaCapital/Vox Populi também debruçou-se sobre as diferenças de opinião entre homens e mulheres, faixa etária, escolaridade e renda quando questionados sobre o que seria melhor para o Brasil: a volta de Dilma, a permanência de Temer ou novas eleições.

Apesar da convocação do novo pleito ser a opção preferia de ambos os gêneros, ela é apoiada por uma fração ligeiramente maior entre o público masculino (63%) do que entre o feminino (60%). Os homens também apoiam mais a hipótese da manutenção de Temer no cargo, 20%, ante 14% das mulheres. Elas também expressam mais simpatia pela volta de Dilma, com 22% defendendo essa opção. Entre os homens, o índice fica em 14%.

Os jovens são os maiores entusiastas da proposta de novas eleições (68%) e os que menos apoiam Michel Temer (13%) – a volta de Dilma é apoiada por 17% dos entrevistados mais novos. Entre os adultos, 61% preferem novas eleições como uma opção mais positiva para o Brasil. A volta de Dilma ou a permanência de Temer estão tecnicamente empatadas entre os adultos, com 18% e 17%, respectivamente.

Entre o público maduro, o entusiasmo pela proposta de novas eleições é menor, 43%. Para os mais velhos, o melhor seria a manutenção do interino no cargo até 2018 (28%), enquanto 24% defendem a volta da presidenta.

Com relação à escolaridade, há um apoio ligeiramente maior à proposta de novas eleições entre os entrevistados com diploma do ensino médio (69%). O menor índice está entre aqueles que só cursaram o ensino fundamental (56%). Entre os com Ensino Superior, o apoio é 61%.

Os entrevistados com diploma universitário também são os mais favoráveis à manutenção de Michel Temer como presidente (23%), com empate técnico entre nos estratos do ensino médio e Fundamental que defendem sua permanência, 15% e 17%, respectivamente. O maior apoio à volta da presidenta eleita em 2014 está entre os que estudaram até o fundamental (24%). Para os que têm diploma do ensino superior, o índice cai para 15% e está em 13% entre os que concluíram a última etapa da Educação Básica.

Com relação à renda, há mais adesão à proposta de novas eleições entre todas as faixas salariais. O maior apoio está entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos (entre R$ 1.760 e R$ 4.400) - opção defendida por 65%. Para os que recebem até dois salários mínimos, a volta de Dilma tem mais apoio do que a manutenção de Temer, 26% contra 13%. Já entre os mais ricos, com rendimentos de cinco salários mínimos, 26% preferem Temer e 9%, a volta de Dilma.

Perspectivas negativas

A pesquisa ainda revelou que o governo interino de Michel Temer só é considerado "melhor que o esperado" por 16% dos eleitores, o equivalente a uma em cada seis pessoas. A porcentagem é igual à verificada na rodada anterior da pesquisa, feita em junho.

Para a maior parte dos eleitores, o governo é pior do que o esperado (27%) ou tão ruim quanto imaginavam (18%). Outros 9% avaliam que o governo do peemedebista é melhor que o esperado. Quase um terço dos entrevistados (30%) disse não saber avaliar ou não respondeu.

Em junho, 32% achavam o governo pior que o esperado, 16% achavam tão ruim quanto esperado e 7%, tão bom quanto esperado.

As expectativas dos brasileiros com relação ao governo são, em geral, negativas. Para 43% dos eleitores, o combate à corrupção vai piorar com Temer na presidência, enquanto 49% avaliam que o desemprego vai aumentar.

Maiorias também avaliam de forma negativa as perspectivas para os direitos trabalhistas e os programas sociais, mas nesses casos as margens diminuíram em comparação com a pesquisa anterior.

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Em junho, 55% achavam que o respeito aos direitos dos trabalhadores iria piorar, 20% que não iria mudar e 19% que iria melhorar. Agora 43% acham que a situação dos direitos vai piorar, 29% acham que não vai mudar e 20, que permanecerá igual.

A respeito dos programas sociais, 41% acham que eles sofrerão piora (eram 56% em junho), 30% que não vão passar por mudanças (eram 19%) e 21% avaliam que vão melhorar (eram 18%).

A pesquisa ouviu 1,5 mil pessoas em 97 municípios de todos os estados e do Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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