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Direitos ameaçados

Reviravolta na política brasileira preocupa movimento sindical internacional

Segundo João Felício, presidente da Confederação Sindical Internacional, sindicalistas estrangeiros acreditam que processo pode influenciar ataques neoliberais em outros países
por Redação RBA publicado 23/08/2016 18h08
Segundo João Felício, presidente da Confederação Sindical Internacional, sindicalistas estrangeiros acreditam que processo pode influenciar ataques neoliberais em outros países
Roberto Parizotti/CUT
João Felício

Felício: Brasil era visto como um país como referência por conduzir processo de distribuição de renda

São Paulo - O movimento sindical estrangeiro tem repudiado o golpe em curso no Brasil e a agenda do governo interino de Michel Temer. Segundo o presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Felício, há muita indignação no exterior com as propostas conservadores que estão sendo defendidas por Temer e que atingem a classe trabalhadora.

A entidade, que tem mais de 300 entidades sindicais filiadas representando 175 milhões de trabalhadores, é presidida pelo brasileiro, ex-presidente da Apeoesp e da CUT, desde 2014.

“O Brasil era visto como um país onde estava se iniciando um processo de distribuição de renda, a maioria das categorias profissionais tinha obtido aumento real de salario, o salário mínimo tinha crescido, o salário médio também, enquanto na maioria dos países mundo afora tinha diminuído. Os governos Lula e Dilma tinham um comportamento de profundo respeito pelo movimento sindical e isto não é normal mundo afora”, afirmou Felício, presidente da entidade que representa mais de 180 milhões de trabalhadores em 161 países.

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Em entrevista a Rádio Brasil Atual, Felício explica que, enquanto em muitos países não existe processo de negociação coletiva, o Brasil, apesar de algumas contradições, era visto como exemplo. “Aqui patrões têm de sentar com o sindicato para discutir aumento salarial. Portanto, era um espelho positivo, apesar de muitas divergências, contradições, mas comparando com o mundo afora, estávamos muito melhor.”

Ele enfatiza que o processo em curso no Brasil tem como verdadeiro motivo a tentativa de impor reformas que afetarão as conquistas sociais da população. “Há muito tempo que o PSDB e o DEM defendem reforma sindical e trabalhista radical. Então, quando o movimento sindical internacional vê golpes dessa natureza na América Latina, se percebe um profundo retrocesso. O Brasil não é qualquer país, é líder na América do Sul e isso pode ser um estímulo para que outros países façam reformas ainda mais radicais.”

Recado no maior sindicato da América do Norte

USW

Em reunião recente, a diretoria executiva do United Steelworkers (USW), maior sindicato industrial da América Norte, expressou repúdio ao golpe no Brasil, exibindo cartazes com dizeres “Fora Temer”, “Não ao golpe no Brasil” e “Dilma é democracia”. A entidade sindical representa 860 mil trabalhadores de Estados Unidos, Canadá e parte do Caribe, nos mais variados setores da indústria, como siderurgia, produtos químicos e farmacêuticos, vidro, borracha, papel e celulose, além de empresas de call centers e de serviços de saúde. Tem sede na cidade de Pitisburgo, estado da Pensilvânia.

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