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Contra o golpe, artistas estrangeiros pedem ao Senado respeito a eleitores de Dilma

Nomes como Noam Chomsky, Oliver Stone, Ken Loach e Susan Sarandon assinam abaixo-assinado em que denunciam golpe de Estado no Brasil que pode afetar toda a América Latina

Lula Marques/ AGPT
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Temer e Jucá: Áudios do senador revelaram a natureza do golpe: parar investigações de corrupção

São Paulo – Artistas e intelectuais estrangeiros divulgaram hoje (24) uma carta denunciando o golpe de Estado em curso no país. “Nos solidarizamos com nossos colegas artistas e com todos aqueles que lutam por democracia e justiça em todo o Brasil”, afirma o documento assinado por 22 artistas, entre eles, a atriz Susan Sarandon, o ator Danny Glover, o músico Brian Eno, o professor do MIT Noam Chomsky e os diretores Oliver Stone e Ken Loach.

Além de defender o retorno da presidenta Dilma Rousseff, afastada no dia 12 de maio após admissibilidade de processo de impeachment pelo Senado Federal, as personalidades não poupam críticas à gestão provisória, que se beneficiou do golpe. “Lamentamos que o governo interino no Brasil tenha substituído um ministério diversificado, dirigido pela primeira presidente mulher, por um ministério composto por homens brancos, em um país onde a maioria se identifica como negros ou pardos.”

“A base jurídica para o impeachment em curso é amplamente questionável e existem evidências convincentes mostrando que os principais promotores da campanha contra o impeachment estão tentando remover a presidenta com objetivo de parar investigações de corrupção nas quais eles próprios estão implicados”, afirmam. Pouco após o afastamento de Dilma, diálogos vazados do senador nomeado ministro do Planejamento pelo governo interino, Romero Jucá (PMDB-RR), mostram o peemedebista afirmando que tirar a presidenta teria efeito de “parar a sangria da Lava Jato”.

O Senado está prestes a decidir definitivamente sobre a efetivação do golpe. Sobre isso, a carta diz esperar “que os senadores brasileiros respeitem o processo eleitoral de 2014, quando mais de 100 milhões de pessoas votaram. O Brasil emergiu de uma ditadura há apenas 30 anos e esses eventos podem atrasar o progresso do país em termos de inclusão social e econômica por décadas. Se este ataque contra suas instituições democráticas for bem sucedido, as ondas de choque negativas irão reverberar em toda a América Latina”.

A carta engrossa o discurso internacional em defesa da democracia brasileira. Em julho, 43 congressistas norte-americanos se manifestaram contra o golpe, bem como o senador que concorreu às prévias pelo Partido Democrata, Bernie Sanders. “Visto que o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, esses acontecimentos são de grande importância para todos os que se preocupam com igualdade e direitos civis”, dizem as personalidades.

Também assinam a carta: Tariq Ali, jornalista e cineasta; Harru Belafonte, ativista e ator; Alan Cummin, ator; Frances de la Tour, ator; Deborah Eisenberg, escritora e atriz; Eve Ensler, autora; Stephen Fry, ator e diretor; Daniel Hunt, diretor; Naomi Klein, cineasta; Tom Morello, músico; Viggo Mortensen, ator; Michael Ondaatje, poeta; Arundhati Roy, ativista; John Sayles, roteirista e diretor; Wallace Shawn, comediante; e Vivienne Westwood, estilista.