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Delação incrimina Cunha por propinas pagas em contratos com a Caixa

Fábio Cleto, ex-vice-presidente do banco, que assumiu o cargo por indicação do deputado afastado, disse que Cunha ficava com 80% do valor pago pelas empresas e que o intermediário era o lobista Lúcio Funaro
Publicado por Hylda Cavalcanti, da RBA
17:39
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Cleto: reuniões com Cunha toda terça-feira, às 7h30, para acertar detalhes sobre contratos

Brasília – O executivo Fábio Cleto, que ocupou a vice-presidência da Caixa Econômica Federal por indicação do presidente afastado da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez revelações bombásticas em sua delação premiada, homologada recentemente pelo Ministério Público. Cleto afirmou que Cunha recebia 80% da propina que era arrecadada por empresas interessadas na liberação de verbas do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) – operações feitas pela entidade.

Trechos da delação foram divulgadas hoje (1º), depois que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão do doleiro e lobista Lúcio Funaro, ligado a Cunha e que teria sido,  segundo o delator, a pessoa que o apresentou a Eduardo Cunha. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou Funaro de ter atuado em favor do deputado afastado nos últimos anos.

Conforme as informações divulgadas por Fábio Cleto, o pagamento das propinas efetuadas pelas empresas eram feitas por Lúcio Funaro, e 80% do valor ficava com Eduardo Cunha e 20% com ele (Funaro). Cleto também contou que, durante o período como vice-presidente da Caixa, todas as terças-feiras se reunia com Eduardo Cunha na residência dele, às 7h30, para acertar detalhes sobre contratos com empresas com as quais seriam firmados contratos e para receber orientações do parlamentar.

Segundo declarou, dos 20% que ficavam com Lúcio Funaro, 40% eram dele (Fábio Cleto). E contou que passava metade desse valor que recebia para o assessor de Funaro, Alexandre Margotto.

Nova fase

O lobista Lúcio Funaro foi preso esta manhã em mais uma fase da Operação Lava Jato que foi realizada no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Segundo as informações desta etapa da operação, todos os pagamentos de propina feitos por empresas que operavam com a Caixa Econômica passavam por Eduardo Cunha.

No início da tarde, o deputado afastado divulgou nota por meio de sua assessoria de imprensa negando as informações repassadas por Fábio Cleto.

As acusações fazem parte da terceira denúncia contra Cunha apresentada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot. Ele já é réu em duas ações penais que tramitam no STF pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Com informações da Agência Brasil