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Psol lança candidatura de Erundina à presidência da Câmara

“Nossa candidatura não tem compromisso com o presidente interino, muito menos com o ex-presidente que está para ser cassado; nosso compromisso é com o povo', disse a deputada ao anunciar seu nome

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Lideradas por Erundina, deputadas ocuparam a mesa da presidência em ato de protesto contra manobras de Cunha

São Paulo – Em depoimento à imprensa no final da tarde de hoje (12), a deputada federal Luiza Erundina (Psol-SP) defendeu sua candidatura à presidência da Câmara, para a disputa que vai ocupar o lugar do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – ele renunciou à presidência na semana passada e poderá ter o mandato cassado por conta de seu envolvimento na Operação Lava Jato. “A Câmara é a casa do povo, mas lamentavelmente ela não tem se comportado de acordo com essa realidade”, afirmou Erundina.

A deputada afirmou também que o povo tem sido cerceado na liberdade de acesso à Câmara. “Mais do que isso, tem sido uma casa de costas para a sociedade, que não tem caminhado por temas de interesse da maioria do povo brasileiro”, afirmou, ao lembrar que a reforma política é tema da casa há mais de 20 anos e até agora nada se fez. “O que se tem feito ao longo desses anos são remendos eleitorais, que não dão conta de refletir as graves distorções do sistema político, o que impede a consolidação da democracia em nosso país”, defendeu, destacando também que uma reforma tributária que corrigisse as injustiças fiscais, com impostos menos regressivos, também seria fator para a democracia avançar no país.

“Nossa candidatura não tem compromisso com o presidente interino, muito menos com o ex-presidente que está para ser cassado; nosso compromisso é com o povo, com a real independência do Poder Legislativo e com a pauta que se contrapõe ao ajuste fiscal que pune os trabalhadores de forma absurda e insuportável”, disse Erundina. Ela defendeu ainda a igualdade de gênero no parlamento e lembrou que é a primeira candidata à presidência da casa “para construir unidade e consenso”.

Antes dela, o deputado Ivan Valente (Psol-SP), disse que o partido foi o partido que mais lutou para tirar Cunha da presidência da Câmara. “Nós entendemos que é preciso ter candidaturas que tenham identidade política, que representem uma ideologia e tenham mora para exigir ética e transparência”, afirmou. Valente afirmou ainda que a candidatura de Erundina é comprometida com a luta contra a pauta regressiva que faz com que os trabalhadores paguem a conta da crise econômica. “É uma candidatura contra o golpe e a ruptura democrática”, enfatizou.

Jean Wyllys

Antes de o nome de Erundina ser anunciado, uma nota do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, de sábado (9), informava que o deputado cogitava se lançar a candidato à presidente da Câmara. A repercussão do nome de Wyllys foi grande, razão pela qual ele se manifestou na tarde de hoje em vídeo no Facebook para agradecer as manifestações de apoio ao seu nome. Ao mesmo tempo, ele defendeu o nome de Erundina, decidido em reunião da bancada do Psol na tarde de hoje.

Wyllys falou dos motivos pelos quais o partido escolheu o nome de Erundina. “Ela tem uma juventude impressionante, apesar da sua idade real. Tem também o seu gesto simbólico quando ela expulsou Cunha da mesa da presidência da câmara, um ato que ficou memorável”, disse, referindo-se ao episódio de 28 de abril deste ano, quando, lideradas por Erundina, mulheres ocuparam a mesa da presidência em forma de protesto, em sessão que aprovou a criação de duas comissões técnicas permanentes: Defesa dos Direitos da Mulher e de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa.

O deputado destacou ainda que o mandato do próximo presidente da casa tem um caráter de tampão, e vai até janeiro do próximo ano, o que não atrapalharia que Erundina participasse das eleições deste ano como candidata à prefeita de São Paulo, nem de ser prefeita, caso vença o pleito.