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Palavra de Alckmin

Ferroviários põem em dúvida se trens novos chegarão e quando irão rodar

Ao entregar novo trem no início do mês, governador prometeu 'um a cada 15 dias'. Vinte dias depois, trem seguinte ainda não chegou. Entrega dos primeiros trens (de um total de 65) seria no início de 2015
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
15:06
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Arquivo RBA
linha 7

Pela estação Água Branca, da linha 7 da CPTM, ainda circulam trens fabricados em 1957

São Paulo – Dirigentes dos três sindicatos de ferroviários paulistas estranharam a declaração do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), no dia 6 deste mês, de entregar para operação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) “um trem novo a cada 15 dias”, de uma licitação de 65 composições novas. “O trem chegar é uma coisa, rodar é outra história. Tem muito teste para ser feito e é comum encontrar problemas”, disse o secretário-geral do Sindicato dos Ferroviários da Zona Central do Brasil, Leonildo Bittencourt Canabrava.

O governador postou em seu perfil no Facebook, no dia 6, que o trem entregue naquele dia, destinado à Linha 11 Coral (Luz-Estudantes), era o primeiro dos 65 novos trens. “A partir de hoje vamos entregar um trem novo a cada 15 dias”, escreveu. Para cumprir a promessa, seria preciso entregar dois trens por mês pelos próximos dois anos e meio. Porém, não há registro da entrega do segundo trem. Segundo os ferroviários, já havia oito trens entregues antes desse anúncio, passando por testes.

De acordo com Canabrava, as novas composições precisam passar por testes de segurança, de sistema de via, de comunicação, de operação, do ar-condicionado, dos freios de segurança, entre outros. E é comum se encontrarem problemas que exigirão correção. “Esses testes não têm prazo de conclusão, porque não se pode arriscar a segurança. Só quando está tudo certo é que o trem é liberado para a operação, onde ainda vai se ver como ele recebe a lotação de passageiros”, explicou o ferroviário.

O secretário-geral comentou ainda que dos oito trens da CPTM em testes no Pátio Osasco, apenas dois estarão aptos a entrar na operação comercial. “Não acredito que seja possível entregar 65 trens no prazo mencionado. Mesmo que cheguem no tempo previsto, tem todos esses testes”, afirmou Canabrava, cujo sindicato atua nas linhas 11 Coral (trecho entre Brás, na região central, e zona leste) e 12 Safira (Brás-Calmon Viana, município de Poá, a leste da capital).

A mesma estranheza foi expressa por Izac de Almeida, presidente do Sindicato dos Ferroviários da Zona Sorocabana, que atua nas linhas 7 Rubi (que vai de Jundiaí, vizinha a norte da capital, à Luz, no centro), e por Eluiz Alves de Matos, 10 Turquesa (Brás a Rio Grande da Serra, no ABCD), do sindicato que atua nas linhas 8 Diamante (que liga a cidade de Itapevi, a oeste, à estação Júlio Prestes, no centro da capital) e 9 Esmeralda (que vai do bairro do Grajaú, na zona sul paulistana a Osasco).

alckmin“Essa informação não me parece verdadeira. Esse número de trens é quase metade da frota que opera em horário de pico e não temos previsão desse tipo, hoje, para entrar em operação”, disse Matos. Hoje, a CPTM tem 196 trens operantes, dos quais 135 atendem a população em horário de pico.

Os ferroviários destacaram ainda que os sistemas de operação das linhas diferem, e um trem testado para operar na Linha 9, por exemplo, não poderia operar na Linha 12, sem que sejam feitos novos testes e ajustes. “Estamos esperando, sim, a renovação da frota, mas desconheço esse número de composições, nesse prazo”, afirmou Almeida.

A licitação para os 65 novos trens, com oito vagões cada, foi firmada com as empresas CAF (35 composições) e Hyundai Roten (30 composições), em julho de 2013. A primeira previsão de entrega era para 18 meses depois, ou seja, no início de 2015. A previsão atual é de que todos sejam entregues até 2018. A CAF receberá R$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 28,5 milhões por trem) e a Hyundai Roten R$ 788 milhões (R$ 26,2 milhões por trem).

A licitação prevê a substituição de trens com mais de 65 anos. Atualmente a CPTM opera trens fabricados em 1956 (Linha 7), 1976 e 1978 (Linha 7, 11, 12). A frota mais nova é que opera nas Linhas 8 e 9, que entrou no sistema entre 2011 e 2013.