1º de Maio

Para Lindbergh, governo Temer não se sustentaria; Falcão prega unidade

Para senador, programa do PMDB acaba com legados de Vargas, Ulysses e Lula

Marcia Minillo/RBA
Lindbergh e Rui

Para Lindbergh, política agressiva de retirada de direitos agravaria crise. Rui: todas as formas de luta, políticas e jurídicas, devem ser utilizadas nesse período

São Paulo – Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), um eventual governo comandado pelo atual vice-presidente, Michel Temer, não se sustentaria. “Ele não aguenta três meses na Presidência da República”, afirmou, pouco depois de chegar ao Vale do Anhangabaú, em São Paulo, onde está sendo realizado ato de 1º de Maio convocado pela CUT, CTB e Intersindical. “Se o Senado confirmar esse golpe, quero que o Temer saiba que não vamos sair das ruas”, disse o parlamentar, para quem se articula “um golpe antipovo”.

“Ele (Temer) vai executar uma política agressiva de retirada de direitos dos trabalhadores. A crise tende a aumentar”, afirmou Lindbergh, que vê dificuldades para barrar o processo na comissão especial do Senado, mas confia em uma virada ao final do processo. “Eles não têm voto, hoje, para aprovar o afastamento definitivo.” O senador avalia que as chances aumentaram após a mobilização nas ruas e a repercussão internacional do processo. Sobre a admissibilidade, afirma que a base não jogou a toalha. “Vamos lutar até o fim.”

Para o parlamentar, o programa “Ponte para o Futuro”, do PMDB significa acabar com os legados de Getúlio Vargas (CLT), Ulysses Guimarães (Constituição) e de Lula (desenvolvimento e redução da desigualdade). “Nunca vi nada parecido.”

Unidade

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, que chegou ao Anhangabaú por volta de 12h15, disse que o mais importante, agora, é manter a unidade entre partidos de esquerda e movimentos, depois de um período de “certo distanciamento”. Ele considera “muito difícil” impedir a admissibilidade do impeachment no Senado, que requer maioria simples, mas aposta em evitar o afastamento definitivo da presidenta.

“Isso depende de luta, de mobilização. Independentemente do resultado, não vamos reconhecer a legitimidade desse governo que tenta assumir sem o voto popular”, afirmou o dirigente petista, identificando um possível governo Temer com ataques à Petrobras, privatizações e ofensivas conservadoras como o tratamento homofóbico a grupos LGBT.

Sobre tentativa de reverter o processo no Supremo Tribunal Federal, Falcão disse que “todas as formas de luta, políticas e jurídicas, devem ser utilizadas nesse período”. Ele considera importante continuar denunciando a “seletividade” da Operação Lava Jato. E lembrou que o processo de impeachment foi conduzido na Câmara “por um notório réu”.

Também circulam pelo Anhangabaú parlamentares como os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), Vicente Cândido (PT-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é esperado, assim como a presidenta Dilma Rousseff.