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Escracho

Fusão de Cultura e Educação leva servidores a protestar contra novo ministro

Mendonça Filho foi recebido com cartazes e gritos de "Vaza" e "Cultura sim, golpe não"
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 13/05/2016 17h15, última modificação 13/05/2016 18h31
Mendonça Filho foi recebido com cartazes e gritos de "Vaza" e "Cultura sim, golpe não"
Midia Ninja/Facebook
Mendonça Filho

Uma das principais lideranças do DEM e da articulação do impeachment, Mendonça Filho não foi bem recebido

Brasília – O novo ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho, passou por um escracho no primeiro dia à frente do cargo. A fusão das duas pastas e o perfil do ministro empossado levou a críticas por parte de intelectuais e acadêmicos. A nova estrutura do ministério será remontada e o chefe da pasta, deputado pelo DEM de Pernambuco, resolveu fazer uma reunião de apresentação no auditório do Ministério da Educação, e depois foi se reunir com os demais servidores no prédio da Cultura. Mas foi recebido com cartazes e gritos de “Vaza”, “Não reconhecemos um ministério golpista” e “Cultura sim, golpe não”.

Imagens foram divulgadas em vídeo feito pela rede social do coletivo Mídia Ninja. Como ex-líder do DEM na Câmara, parlamentar experiente no Congresso Nacional com várias legislaturas e ex-governador de Pernambuco, o ministro tentou minimizar a questão e acalmar os ânimos dos servidores. Ele não se alterou, disse que como democrata entende este tipo de manifestação, mas não conseguiu disfarçar o ar de constrangimento.

Dirigindo-se aos servidores, procurou acalmar. Disse que tentará realizar um trabalho que atenda às expectativas de todos – dando a entender que compreende o tom da insatisfação do setor. Mas Mendoncinha, como é conhecido, não conseguiu falar mais que umas poucas palavras, diante dos gritos e protestos dos que faziam, até ontem, parte do Ministério da Cultura (Minc).

Insatisfação

A má receptividade dos servidores ao novo ministro, confirmada por vários técnicos e inclusive por uma profissional que até ontem era chefe de um departamento relevante na área, é resultado da insatisfação com o que tem sido considerado na Esplanada dos Ministérios uma menor importância a ser dada às políticas públicas de cultura pelo novo governo. Com especulações, inclusive, de que a Cultura passe a ser transformada numa secretaria de segundo escalão do MEC.

A informação quanto à redução de poderes para o setor de Cultura ainda não foi confirmada. Fala-se que o ministério passará a ter os dois nomes fortes e que poucas semanas atrás, Temer teria oferecido o ministério da Cultura para o deputado Roberto Freire (PPS-SP).

A avaliação de profissionais vinculados à área é de que uma desestruturação das políticas do ministério que se encontram em curso darão mais trabalho para o Executivo do que a continuidade destas, motivo pelo qual fizeram o protesto no início da tarde.

Espírito democrático

Em uma nota divulgada horas antes do episódio, o ministro Mendonça Filho afirmou que aceitou o convite “para ajudar o presidente Michel Temer no desafio de reconstruir o Brasil, neste momento de crise profunda na gestão pública e na economia brasileira”.

Mendonça Filho, como se estivesse prevendo o que estaria por enfrentar, destacou, ainda, que assume o cargo com a "mensagem de união, trabalho, diálogo e parceria com os diversos setores que pensam e fazem a educação e a cultura no país".

“Chego com o propósito de contribuir com a minha experiência como gestor público como governador, vice-governador e secretário do meu estado Pernambuco. Vamos buscar os melhores quadros das duas áreas para dar continuidade aos projetos que existem, buscando aprimorá-los", disse.

O ministro também afirmou a importância de se buscar diálogo, convergências e união e lembrou que “a Educação e a Cultura não têm partido e devem ser um consenso nacional”. “O Brasil não sairá da situação na qual se encontra, numa crise grave e profunda, se por ventura não houver mobilização em cima de valores e em cima de consensos. Vamos buscar informações sobre os principais projetos e reforçar uma linha de ação que consolide nossos compromissos.”

Assista ao vídeo: