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Haddad: 'Maior desafio da gestão é desconstruir teses forjadas com fins políticos'

Em evento na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, prefeito discursou sobre principais dificuldades de seu mandato
por Gabriel Valery, da RBA publicado 25/05/2016 16h48, última modificação 25/05/2016 17h12
Em evento na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, prefeito discursou sobre principais dificuldades de seu mandato
Heloísa Ballarini/Secom
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Haddad participou de um diálogo com alunos da Fespsp, que comemora 83 anos de existência

São Paulo – "O maior desafio da gestão é desconstruir teses forjadas pela mídia com fins políticos", afirmou ontem (24) o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), durante evento que marcou os 83 anos de fundação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp). Ele respondia a perguntas dos aproximadamente 200 alunos presentes. “É um pesadelo não poder trabalhar com os fatos”, disse Haddad.

“Respondemos na Justiça contra a construção de ciclovias, contra faixas de ônibus, contra a redução de velocidade, contra mim por ser professor, contra a revisão da planta genérica do IPTU, contra um trote que eu dei”, disse referindo-se a uma "pegadinha" aplicada no historiador e apresentador Marco Antônio Villa. Em seu programa na rádio Jovem Pan, Villa lê diariamente a agenda do prefeito para tecer críticas. Na última semana, Haddad alterou seu cronograma pelo de outro político. Mesmo assim, o apresentador não poupou ofensas.

Questionado sobre a posição do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) – que ingressou com ação de improbidade administrativa contra a prefeitura por utilizar dinheiro arrecadado com multas para manutenção da Companhia de Engenharia de Tráfico (CET) – Haddad, respondeu: "Isso é uma loucura. O governo do estado faz a mesma coisa. O mesmo promotor também entrou com uma ação, porém, não chamou entrevista coletiva, não acusou o governador Geraldo Alckimin (PSDB) de improbidade administrativa e, enfim, perdeu o prazo. A ação foi arquivada”.

A prefeitura entrou com uma representação na corregedoria do MP-SP questionando a atitude. “Está claro que a intenção é ganhar manchetes. Não tem cabimento a diferença de tratamento. Vou responder por isso durante anos, e sempre vão dizer nos debates que respondo por improbidade. Esse é o objetivo. Temos a obrigação de reagir a esse tipo de postura escancaradamente política”, argumentou.

Haddad adiantou que hoje liberaria um gráfico mostrando a evolução da arrecadação de multas da capital entre a gestão anterior, de Gilberto Kassab (hoje PSD, antes DEM). “Comparamos três anos da gestão anterior com três anos meus. O que isso mostrou? Que eu não sou o industrial das multas, mas existe uma preguiça de investigar isso. Compra-se uma tese que repetem cem vezes nas rádios”, disse.

Outra tese rebatida pelo prefeito é relativa à redução de velocidades nas vias da cidade. “Outro dia me perguntaram de onde saiu essa ideia dos 50 quilômetros por hora”, lembrou, em relação à velocidade máxima nas pistas locais das Marginais do Tietê e Pinheiros. Eu disse: olha, por exemplo, da Organização Mundial da Saúde. As Nações Unidas devem ter estudado para defender esta tese, mas também de muitos outros especialistas”, completou.

De acordo com o TomTom Trafic Index, mais importante ranking mundial de medição de congestionamentos, calculado em 295 metrópoles de todo o mundo, São Paulo passou da sétima posição de pior trânsito para a 58ª em dois anos de gestão Haddad. “Melhoramos o trânsito, aí disseram que isso tinha a ver com a crise econômica do país. Ora, se você vê outras cidades brasileiras, elas continuam nas mesmas posições. Não estamos sozinhos em crise e só nós caímos no ranking”, disse.

Virada política

A 12ª edição da Virada Cultural, ocorrida no último fim de semana, foi marcada por posicionamentos políticos. O público, que acompanhou mais de 700 atrações, foi movido, em diversos momentos, por palavras de ordem contra o governo interino de Michel Temer (PMDB). Em especial, os manifestantes se referiam à extinção do Ministério da Cultura (Minc), promovida pelo peemedebista em seu primeiro dia como chefe do Executivo.

Algumas bandas também se manifestaram, o que levou parte da sociedade a questionar se não houve influência do prefeito. “A Virada não foi política porque a prefeitura quis. Ela aconteceu na semana de extinção do Minc, então... imagina o número de artistas envolvidos. Não peço carteirinha de filiação partidária para contratar artistas. Já imaginou, colocar 700 artistas em uma sala e combinar. É uma loucura, então, digo que, além de acabar com o Minc, eles querem acabar com a liberdade de expressão”, afirmou o prefeito.

No mesmo dia do evento, o presidente interino decidiu recriar a pasta. “Para mim foi ótimo que ele recriou. Se a Virada ajudou, melhor ainda”, concluiu Haddad.

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