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mario vitor santos

'Golpe é filhote da degradação do jornalismo brasileiro", diz ex-ouvidor da Folha

Para ex-ombudsman e diretor da sucursal de Brasília do jornal paulista, mídia tradicional cedeu ao populismo e contribuiu para inflamar ódios. Dúvida agora é como atuará enquanto durar o governo Temer
por Redação RBA publicado 18/05/2016 10h10, última modificação 18/05/2016 12h08
Para ex-ombudsman e diretor da sucursal de Brasília do jornal paulista, mídia tradicional cedeu ao populismo e contribuiu para inflamar ódios. Dúvida agora é como atuará enquanto durar o governo Temer
© Alfredo Garzón / reprodução
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São Paulo Para o jornalista Mario Vitor Santos, ex-ombudsman da Folha de S.Paulo, o golpe que afastou a presidenta eleita, Dilma Rousseff, e levou o vice, Michel Temer, a assumir interinamente a Presidência da República, é filhote da degradação do jornalismo brasileiro. "Veículos de mídia cederam ao populismo que inflama os ódios de classe e leva o país a vivenciar mais um golpe contra as instituições", diz Mario Vitor, em artigo publicado hoje (18).

Para o jornalista, que é diretor da Casa do Saber, "fica para conferir se a mídia terá, no governo Temer, a mesma obsessão higienizadora e incriminatória que exibe contra a ordem petista".

Diz Mario Vitor:

A ruptura institucional em via de ser completada no Brasil é resultado direto da degradação do jornalismo posto em prática por quase todos os meios de comunicação no país. Os cuidados éticos foram sacrificados a tal ponto que o jornalismo promove a derrubada de uma presidente até agora considerada honesta.

Jornalismo deve informar os fatos de pontos de vista diferentes e contrários, encarnar ideias em disputa, canalizar o entrechoque de versões, sublimar antagonismos.

Veículos brasileiros, ao contrário, quase todos em dificuldades financeiras e assediados pelos novos hábitos do público, uniram esforços na defesa de uma ideia única. Compactaram-se em exageros, catastrofismo e idiossincrasias. Agruparam-se de um lado só da balança, fortes para nocautear um governo, mas fracos para manter sua própria razão de existir, a autonomia.

Poderia ser diferente.

Leia o artigo original, publicado pela Folha: Apocalipse do jornalismo