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Contra o golpe

SUS depende da democracia, reafirmam especialistas

Para eles, o ataque aos direitos sociais e trabalhistas embutido no discurso dos articuladores do golpe inclui o enfraquecimento e privatização do sistema público de saúde
por Redação da RBA publicado 04/04/2016 19h51, última modificação 04/04/2016 20h06
Para eles, o ataque aos direitos sociais e trabalhistas embutido no discurso dos articuladores do golpe inclui o enfraquecimento e privatização do sistema público de saúde
ENSP/Fiocruz
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Temporão: ex-ministro da Saúde do governo Lula defende união em prol do SUS

São Paulo – Vital para a sociedade brasileira por seu caráter universal, inclusivo, democrático e resolutivo, o SUS está seriamente ameaçado pelo golpe de Estado articulado por setores empresariais, do Judiciário e da mídia conservadora, que pretendem destituir a presidenta Dilma Rousseff. Esta é a constatação de especialistas e militantes em defesa da saúde pública reunidos na última quarta-feira (30) em evento da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), vinculada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“Não é preciso muita imaginação para sabermos que o que eles estão pensando em fazer é descaracterizar, destruir e privatizar o SUS. E é contra isso que temos de nos unir”, disse o ex-ministro da Saúde no governo Lula e diretor-executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (ISAGS/Unasur), José Gomes Temporão. “Não é a toa que ouvi de um integrante do PMDB que o ‘SUS está fora dos trilhos’. Alguma coisa precisa ser feita."

Em sua participação, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, afirmou que o documento do PMDB, que ele chama de “ponte para o futuro do capital”, é claro, preciso e objetivo. “O que os setores que estão manejando este processo, os donos do dinheiro e do poder, querem é mais ajuste fiscal e reforma trabalhista, com desvinculação dos benefícios sociais do salário mínimo, desvinculação do salário mínimo do PIB, desvinculação das verbas constitucionalmente asseguradas para educação e para saúde em nome do ajuste”. E completou: “Já não há constrangimento ao se falar no fim da gratuidade da educação pública. Será também o fim do SUS".

O temor de enfraquecimento e privatização do SUS foi destacado também pela professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFRJ, Ligia Bahia. "Para o setor privado é pouco a entrada de empresas estrangeiras no mercado de saúde do país, bem como os incentivos aos planos de saúde em detrimento do financiamento do sistema público. Querem a privatização."

Para Ligia, também está em curso um golpe cultural. "É o golpe do mérito individual, de um brasileiro achar que tem o direito de ser melhor que o outro brasileiro, de pisar no outro."

Na última sexta-feira,  o Conselho Deliberativo da Fiocruz divulgou manifesto em que defende a democracia e ressalta a importância da mobilização em defesa do respeito incondicional à manifestação do voto popular, dos direitos e garantias individuais e coletivas, incluindo os dos trabalhadores, e das políticas de Estado voltadas para a inclusão social – entre elas o SUS.