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Estado de sítio

Em defesa do golpe, governo tucano de Goiás coloca forças policiais de prontidão

20 mil policiais estarão nas ruas para prevenir protestos, invasão e ocupação de propriedades privadas e fiscalizar caravanas com destino à capital federal especialmente neste domingo
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 13/04/2016 19h56, última modificação 14/04/2016 12h40
20 mil policiais estarão nas ruas para prevenir protestos, invasão e ocupação de propriedades privadas e fiscalizar caravanas com destino à capital federal especialmente neste domingo
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Forças de segurança farão ações preventivas e ostensivas em Goiânia, no acesso a Brasília e entorno do DF

São Paulo – O governo de Marconi Perillo (PSDB) determinou que as forças policiais do estado de Goiás estejam de prontidão pelos próximos dois meses. A determinação veio com portaria assinada pelo vice-governador e secretário estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária, José Eliton de Figueiredo Junior, na segunda-feira (11).

Pela portaria, ficam suspensas folgas, escalas e afastamentos, "para acompanhar possíveis delitos relacionados a conflitos urbanos e rurais", de efetivos da polícia militar, do corpo de bombeiros, da polícia técnico-científica e a da administração penitenciária.

De acordo com nota da secretaria, 20 mil policiais estarão nas ruas em todo o estado para garantir "a ordem pública, a incolumidade física e patrimonial, e o direito constitucional de manifestação tendo em vista o atual contexto político que movimenta o país".

Motivada pela votação pela Câmara dos Deputados do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no próximo domingo (17), a medida pretende prevenir "práticas que não estão salvaguardadas na lei, de alguns movimentos de fazerem barreiras, com queima de pneus em rodovias”, numa alusão ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que anunciou manifestações contra o golpe por meio da aprovação do impeachment.

"Haverá esforço também no sentido de assegurar proteção às propriedades privadas tanto na área urbana quanto na área rural. Estaremos atentos a qualquer ato de invasão e de ocupação à propriedade privada e violação à ordem pública”, ressaltou José Eliton em entrevista coletiva na última terça-feira.

O secretário disse ainda que as vias de acesso a Brasília e também na região do entorno do Distrito Federal haverá rigorosa fiscalização para atestar a regularidade e legalidade dos ônibus de caravanas.

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Insegurança

Para a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Bia de Lima, a medida pode ser também uma resposta a uma forte campanha da mídia há duas semanas, denunciando a situação de insegurança no estado, que levou à troca do comando da pasta.

"Mas não descarto que seja mais uma iniciativa do governo para conter manifestações", diz. Como ela lembra, diversas manifestações têm sido feitas no estado, entre elas contra a transferência da gestão escolar para as organizações sociais. Contrários a essa medida, os estudantes, com apoio de professores e da comunidade, ocuparam escolas entre dezembro e fevereiro. Houve repressão policial e até prisões. O edital acabou suspenso por falta de entidades capacitadas.

Na semana passada, o Ministério Público Federal (MPF) em Goiás recomendou que a Universidade Federal de Goiás, assim como outros órgãos federais no estado, se abstenha de sediar manifestações favoráveis à presidenta Dilma Rousseff e ao PT. "Em reunião, porém, o Conselho Universitário deliberou que seja respeitada a autonomia universitária para decidir pela realização e apoio a manifestações", diz Bia.

De acordo com o presidente da União Goiana dos Policiais Civis (Ugopoci), José Virgílio Dias de Sousa, a medida está prevista em lei. No entanto, critica a ausência de contrapartida do estado para garantir que as forças policiais estejam de sobreaviso.

"Os policiais deverão estar à disposição, mobilizados, em escala de alcance. No entanto, faltam policiais. A Polícia Civil conta hoje com apenas 54% do que seria necessário", diz.

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