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impeachment?

Mesmo sem poder cantar vitória, governo abre domingo em vantagem

"Certo da vitória, ninguém pode estar. E o que acaba hoje é uma batalha sangrenta, mas não a crise nem a guerra política por ela deflagrada", diz ministro Berzoini
por Tereza Cruvinel publicado 17/04/2016 12h12, última modificação 17/04/2016 12h39
"Certo da vitória, ninguém pode estar. E o que acaba hoje é uma batalha sangrenta, mas não a crise nem a guerra política por ela deflagrada", diz ministro Berzoini
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Brasil 247 –A volatilidade dos votos na Câmara foi altíssima nas últimas 36 horas, recomendando que nenhum dos lados da encarniçada luta política entrem hoje no plenário com ares triunfantes, como fez a oposição na sexta-feira.

Mas governo, petistas e aliados viraram a noite com aparente vantagem, certos de que, salvo a ocorrência de baixas significativas hoje, antes do início da votação, conseguirão derrotar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A soma de votos garantidos com as abstenções mapeadas bateu em 200, disse ao 247 às 22 horas o ministro Ricardo Berzoini, depois de uma longa faina política. O que o governo precisa é de impedir que o adversário consiga 2/3 dos votos.

A grande mídia ajustou seus levantamentos mas manteve vantagem para os defensores do impedimento. A Folha de São Paulo fechou o seu com 347 a favor e O Globo com 348. São necessários 342 votos para a aprovação.

Contaram a favor do governo, ao longo do sábado, entre outros fatores:

1) A forte ofensiva do governo junto a indecisos, aliados em desconforto, deputados de pequenos partidos e dissidentes em potencial dos partidos alinhados com o PMDB de Temer e a oposição.

2) A ajuda dos governadores aliados que atuaram fortemente junto a bancadas de seus estados, especialmente os do Norte e do Nordeste.

3) O crescimento do movimento anti-golpe nas ruas, com repercussão diretas sobres os parlamentares através de e-mails, ligações, mensagens de whatsaap e outros meios.

4) O incentivo à abstinência dos que têm dificuldades políticas para votar contra o impeachment. Alguns viajaram e desligaram o celular. Talvez não cheguem a cem, como disse o senador Requião mas alguns fizeram isso. A conferir hoje, pelo número de deputados presentes.

5) O movimento “nem Dilma, nem Temer”, que defenderá eleições presidenciais antecipadas para ajudará muito o governo com a abstenção. Eles devem lançar um manifesto hoje pela manhã.

6) A repercussão internacional negativa do processo brasileiro visto como golpista e antidemocrático.

7) A maior exposição de Eduardo Cunha como substituto e sucessor imediato de Michel Temer numa eventual presidência, tema muito explorado pelos parlamentares petistas, do PSOL, do PDT e do PC do B em seus discursos, nos quais chamaram a atenção para a oposição entre o governo Dilma e o governo Temer-Cunha.

A oposição acusou o avanço o governista em algumas oportunidades:

1) Michel Temer embarcou para São Paulo seguro da vitória e acabou tendo que retornar. Foi criticado por aliados, como o relator Jovair Arantes, por ter saído do campo antes da batalha.

2) A denúncia à Polícia Federal de que estaria havendo compra de voto com a oferta de cargos e facilidades no governo. Pediram inclusive busca e apreensão no quarto de hotel em que Lula está hospedado. A medida que transferiu terras da União para o estado do Amapá, por exemplo, já vem sendo discutido há algumas semanas com o estado mas foi denunciada como “negociata”.

3) O protesto recorrente dos oradores contra a “narrativa do golpe”, que seria apenas recurso retórico dos governistas em desespero. Se fosse, não deviam se preocupar com isso e seguir em frente.

O domingo decisivo começa com este quadro mas como disse Lula, o sobe e desce dos levantamentos parece a bolsa (de valores). Certo da vitória, ninguém pode estar. E depois, o que acaba hoje é uma batalha sangrenta mas não a crise nem a guerra política por ela deflagrada. Qualquer que seja o resultado da votação, ainda haverá muito caminho a andar em busca da estabilização política.

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