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Na Lapa

Lula, artistas e intelectuais convocam ato pela democracia no Rio de Janeiro

Manifesto que deu origem ao evento, previsto para começar às 17h, é assinado por Chico Buarque, o teólogo Leonardo Boff, o ator Wagner Moura e os escritores Fernando Morais e Eric Nepomuceno
por Redação RBA publicado 11/04/2016 12h29, última modificação 11/04/2016 16h46
Manifesto que deu origem ao evento, previsto para começar às 17h, é assinado por Chico Buarque, o teólogo Leonardo Boff, o ator Wagner Moura e os escritores Fernando Morais e Eric Nepomuceno
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Rio

Lula e Chico no Rio: 'Nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. O respeito à vontade da maioria'

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne hoje (11) com artistas e intelectuais, no Rio de Janeiro, em ato em defesa da democracia e contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O manifesto, que deu origem ao evento, que está previsto para começar às 17h, nos Arcos da Lapa, região central da cidade, é assinado pelo cantor e compositor Chico Buarque, o teólogo Leonardo Boff, o ator Wagner Moura e os escritores Fernando Morais e Eric Nepomuceno, entre outros.

Os autores do manifesto afirmam ser constitucional o dispositivo do impeachment, mas que "seu uso indevido e irresponsável", dada a ausência de crime de responsabilidade, se constitui em "golpe branco".

"Muitos de nós vivemos, aqui e em outros países, o fim da democracia. Todos nós, de todas as gerações, vivemos a reconquista dessa democracia. Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo – a este e a qualquer outro. Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada", diz o documento.

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Lula e Chico no Rio: 'Nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. O respeito à vontade da maioria'

O ato de hoje contará com duas etapas. Na primeira, será realizada a leitura do manifesto na Fundição Progresso. Além dos signatários, confirmaram presença as atrizes Letícia Sabatella, Bete Mendes e Silvia Buarque, o cartunista e escritor Ziraldo e o ator Gregório Duvivier, entre outros. O evento é liberado e, em caso de lotação, o público poderá acompanhar do lado de fora por meio de um telão.

Às 18h, em palco nos Arcos, o ex-presidente Lula fala à população. Além do ato político, o encontro vai contar com apresentações culturais variadas, do samba ao funk, e contará com a participação do rapper Rico Dalasam, do gaitista Rildo Hora e o músico Marcelo Yuka, entre muitos outros.

Confira a íntegra do manifesto:

Com este Manifesto estamos convocando a todos para um ato unitário em defesa da democracia. Será na próxima segunda-feira, dia 11 de abril, às cinco da tarde, na Fundição Progresso, na Lapa, Rio de Janeiro.

O que vivemos hoje no Brasil é uma clara ameaça ao que foi conquistado a duras penas: a democracia. Uma democracia ainda incompleta, é verdade, mas que soube, nos últimos anos, avançar de maneira decidida na luta contra as desigualdades e injustiças, na conquista de mais espaço de liberdade, na eterna tentativa de transformar este nosso país na casa de todos e não na dos poucos privilegiados de sempre.

Nós, trabalhadores das artes e da cultura em seus mais diversos segmentos de expressão, estamos unidos na defesa dessa democracia.

Da mesma forma que as artes e a cultura do nosso país se expressam em sua plena – e rica, e enriquecedora – diversidade, nós também integramos as mais diversas opções ideológicas, políticas, eleitorais.

Mas nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. O respeito à vontade da maioria. O respeito à diversidade de opiniões.

Entendemos claramente que o recurso que permite a instauração do impedimento presidencial – isso que em português castiço é chamado de ‘impeachment’ – integra a Constituição Cidadã de 1988.

E é precisamente por isso, pelo respeito à Constituição, escudo maior da democracia, que seu uso indevido e irresponsável se constitui em um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe. Quando não há base alguma para a sua aplicação, o que existe é um golpe de Estado.

Muitos de nós vivemos, aqui e em outros países, o fim da democracia.

Todos nós, de todas as gerações, vivemos a reconquista dessa democracia.

Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo – a este e a qualquer outro.

Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada. Uma democracia, vale reiterar, que precisa avançar, e muito. Que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. Em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida. À dignidade.
Ela custou muita luta, sacrifício e vidas. Custou esperanças e desesperanças.

Que isso que tentam agora os ressentidos da derrota e os aventureiros do desastre não custe o futuro dos nossos filhos e netos.

Estamos reunidos para defender o presente. Para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro. Para merecer o tempo que nos foi dado para viver.


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