contra o golpe

‘Impeachment despertou as forças democráticas do país’, avalia professor da PUC

Reginaldo Nasser, intelectual e cientista político, participou do ato de ontem (6) na USP em defesa da democracia e pela educação pública

Danilo Ramos/RBA
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Para Nasser, crise política traz um fator positivo, pois ‘despertou diversos movimentos que estavam adormecidos’

São Paulo – “Neste momento tenso despertaram as forças democráticas. O número de coletivos que têm surgido é muito grande. Então, há um fator positivo, pois despertou diversos movimentos que estavam adormecidos.” A avaliação é do o cientista político e professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo Reginaldo Nasser, em entrevista à Rádio Brasil Atual, na manhã de hoje (7).

Nasser – que dias atrás recusou-se a dar entrevista a uma emissora da Rede Globo, acusando-a de golpista – também comentou sua participação no ato realizado na Universidade de São Paulo (USP) ontem, em defesa da democracia e pela educação pública. Na manifestação, intelectuais lançaram uma carta aberta à comunidade internacional que esclarece o momento do Brasil.

Por que uma carta aberta à comunidade nacional?

Durante esse processo de tentativa de golpe, constatamos que há muita desinformação no meio internacional. Aliás, há falsas informações, como disse a professora Marilena Chaui. A grande mídia e as agência internacionais reproduzem algumas notícias e avaliações enviesadas.

Então, passamos a entender que é fundamental o movimento internacional. Dada a importância do Brasil no cenário internacional, é um tema de interesse internacional. Queremos chamar a atenção dessas pessoas para levar mais informações.

A carta foi traduzida para o inglês, espanhol, francês e italiano. Além disso, possui 7 mil assinaturas, sendo 500 intelectuais estrangeiros.

Na sua opinião, o mundo acompanha com interesse o que acontece no Brasil?

Sim. O Brasil, mesmo com os problemas que tem passado, é uma das economias mais importantes do mundo e o que acontece é repercussão imediata na América Latina.

Lá fora estão acompanhando sim. Para alguns interessa que a presidenta Dilma seja deposta, há um movimento internacional. Durante mais de uma década tivemos governos democráticos populares, como na Venezuela, Bolívia e Argentina. Agora nós estamos vendo um refluxo. A manutenção da democracia no Brasil é importante para alguns, mas, para outros, é interessante que o Brasil saia da rota. Há uma disputa internacional.

Flickr/CCReginaldo Nasser
Reinaldo Nasser, cientista político e professor de Relações Internacionais da PUC-SP

Como você avalia a iniciativa da Comissão Internacional de Direitos Humanos, que pediu que comissários da ONU apurem se agentes estrangeiros atuarão para fragilizar a democracia brasileira?

Neste momento tenso despertaram as forças democráticas e a atitude da comissão é importante. O número de coletivos que têm surgido é muito grande. Então, há um fator positivo, pois despertou diversos movimentos que estavam adormecidos.

Recentemente, você se recusou participar de um debate na GloboNews, e o fato foi compartilhado nas redes sociais. Você teve noção da dimensão que o caso tomou?

Foi inesperado. Eu participava de programas da GloboNews desde 2000, quando havia pluralismo. Após a primeira eleição da Dilma, eu notei que começou a ter alguns problemas, como falas minhas que foram editadas durante debates. Então, diminuí as participações.

Depois de avaliar todo o contexto atual, vi que é uma atitude negativa que a emissora tomou, colocando as gravações da presidente. Houve atitudes condenáveis no ponto de vista ético. Então, recebi o convite e, por impulso, me manifestei. Eu quis configurar uma atitude política, não é individual. A ideia é que as pessoas discutam o papel da mídia na sociedade.

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