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PT, PCdoB e Rede iniciam obstrução para pressionar saída de Cunha

Mobilização tem outros dois objetivos: acompanhar processo de impeachment no Senado e forçar aceitação do pedido de impedimento de Michel Temer
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 27/04/2016 14h38, última modificação 27/04/2016 18h10
Mobilização tem outros dois objetivos: acompanhar processo de impeachment no Senado e forçar aceitação do pedido de impedimento de Michel Temer
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Jandira, Molon e Pimenta: mobilizados contra o impeachment

Brasília – Deputados do PT, PCdoB e Rede prometem obstruir os trabalhos legislativos a partir desta semana até que seus pleitos sejam atendidos. Eles estão mobilizados para combater o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, pressionar pelo afastamento do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e pelo acolhimento do pedido de impeachment do vice, Michel Temer.

O grupo vai conversar com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja julgado logo o processo contra Cunha. Eles querem, ainda, que os oposicionistas deem o mesmo tratamento na tramitação do pedido de afastamento de Temer que tem sido dado ao de Dilma.

As bancadas das três legendas também deram início a um acompanhamento constante ao processo de impeachment em tramitação no Senado e em apoio aos parlamentares governistas que têm assento na comissão especial para apreciação da matéria. Preparam-se ainda para participar das manifestações programadas para o próximo domingo (1º de maio) pelos movimentos sociais em todo o país.

'Não temos desânimo'

Uma das principais envolvidas nessas ações é Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “Nosso espírito é de luta, de empenho para chamar a atenção das ruas, da população em suas casas, mostrar nossa reação de indignação", disse a deputada. "Principalmente,  queremos mostrar que essa situação toda, que se expressa pela chapa golpista Temer-Cunha não é normal num país democrático”. Segundo Jandira, é preciso, “dentro da Câmara, atuar para combater todas essas situações, assim como a do presidente Eduardo Cunha, tão absurda para o país”, afirmou.

Outro que desponta na frente do movimento é o líder da Rede na Câmara, Alessandro Molon (RJ), que programou a ida de um grupo de parlamentares ao tribunal, para conversar sobre o processo que avalia o afastamento de Cunha da presidência enquanto corre o processo no qual ele é réu, na Operação lava jato. A conversa será com ministros da Suprema Corte e está prevista para hoje (27), quando eles vão pedir, oficialmente, mais celeridade nesse julgamento em função das várias situações observadas na Casa nos últimos dias.

Segundo Molon, "ainda por cima há o agravante das declarações feitas ontem pelo lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, durante depoimento no Conselho de Ética" – no qual o lobista confirmou o pagamento de propina a Cunha.

“Não há mais condições de este homem conduzir os trabalhos da Casa. Até porque está claro um acordo em curso firmado entre ele e os oposicionistas que votaram pelo impeachment da presidenta, no último dia 17, para que o presidente acelerasse o rito de votações do afastamento e, em troca, esses partidos o salvariam da cassação. Esta é uma situação desmoralizante para o parlamento brasileiro como um todo que estamos combatendo e contra o qual vamos lutar até o fim”, afirmou também o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Pimenta chamou de “vergonha para a Câmara e para o Brasil” o fato de a Casa continuar sendo presidida por Cunha. E afirmou que até mesmo líderes da oposição chegaram a pedir o afastamento do parlamentar em novembro passado, quando entraram em obstrução pelo mesmo motivo. Mas mudaram de posição depois que Cunha acatou o pedido de impeachment da presidenta.

Mudança de posição

“Lembro que subiram na tribuna os líderes do PSDB, do PPS e do DEM para anunciar que Eduardo Cunha não reunia condições política, éticas, morais e jurídicas para presidir esta Casa. Cinco dias depois, quando Cunha percebeu que não tinha os votos necessários no Conselho de Ética para ser absolvido e se safar do processo, acolheu o pedido de impeachment. E todos esses partidos, até então corajosos, venderam sua conduta e suas histórias em troca do impeachment”, acusou.

Também o líder do Psol, Ivan Valente (SP), se manifestou a respeito e classificou como “hipócritas e cínicos” os líderes partidários que, mesmo após terem pedido o afastamento de Cunha, aceitaram que ele comandasse a abertura do processo de impeachment.

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) defendeu o vice-presidente Michel Temer e criticou a obstrução programada por essas três siglas. Marun não mencionou a situação de Eduardo Cunha propriamente, mas ao falar sobre o pedido de impeachment de Temer, que faz parte deste pacote de solicitações dos três partidos da base do governo, enfatizou que "chamar Temer de golpista é absurdo”.

O argumento de Carlos Marun é que, se tais siglas não consideram que há crime de responsabilidade cometido pela presidenta Dilma Rousseff, ele acha uma incoerência pedirem, agora, o pedido de afastamento de Temer pelos mesmos motivos.

“A sociedade brasileira assistiu estarrecida no domingo a corrupção prosperar ao se referir à votação do processo de impedimento da presidenta Dilma. O que aconteceu foi uma triste farsa, sob o comando de um réu que sequer deveria sentar-se nesta mesa”, ressaltou o deputado Givaldo Vieira (PT-ES).