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Renan calheiros

'Não passarei para a história como alguém que descumpriu os trâmites do processo'

Em clima tenso, senador antecipa prazo para formalizar nomes da comissão em um dia e sugere passar presidência direto para presidente do STF, caso não se chegue a ponderação no plenário
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 19/04/2016 20h12, última modificação 19/04/2016 20h19
Em clima tenso, senador antecipa prazo para formalizar nomes da comissão em um dia e sugere passar presidência direto para presidente do STF, caso não se chegue a ponderação no plenário
fábio rodrigues pozzebom/abr
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Renan: 'Eu disse ao presidente do STF que como esta é uma Casa política, preservarei até o final o meu papel, minha independência e imparcialidade'

Brasília – A sessão de hoje (19) no plenário do Senado está tensa, depois que foi lido, no final da tarde, o relatório do impeachment. Depois de ser contestado por vários senadores sobre a decisão tomada em reunião de lideranças durante a manhã, de só serem indicados os integrantes da comissão na próxima terça-feira (26), o presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), antecipou o prazo para segunda-feira (25), mas disse que não passará para a história "como alguém que não cumpriu todos os trâmites do processo". Ele afirmou para os colegas que, se acharem melhor, aceita antecipar a transferência da presidência de todo o processo diretamente para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski.

A fala de Renan, embora em tom ponderado, mas feita de forma irritada, se deu por conta da insistência dos senadores para que os líderes todos indiquem os integrantes da comissão nos próximos dias, inclusive para não prejudicar o país. O argumento dos oposicionistas é de que há grande ansiedade em todos os setores com o rito do processo, que exige que tenha tramitação célere. A maior defesa do presidente do Senado foi feita pelos senadores do PT, mas partiu do próprio Renan repassar o recado de que, de acordo com ele, “nem anteciparemos prazos, nem aceitaremos manobras protelatórias”.

“Sinto muito aos senhores senadores, mas não posso passar para a história como quem está atropelando um prazo para definição dos integrantes da comissão especial. Eu disse ao presidente do STF que como esta é uma Casa política, preservarei até o final o meu papel, minha independência e imparcialidade”, afirmou o senador.

Ele ainda disse que “os senadores precisam fazer um esforço grande, daqui por diante, para discutir com serenidade a questão e discutir de forma a avaliar um processo que se trata de crime de responsabilidade, não de impactos na economia ou outros temas”.

“Temos que falar um por um e nos pronunciar de forma legítima e obedecendo a ordem. Falarmos todos, ao mesmo tempo e de forma destemperada, torna impossível a realização de qualquer sessão nesta Casa”, reclamou o presidente do Senado.

“Se for necessário eu pedir transferência da presidência do Senado para que a presidência do STF assuma antecipadamente, eu faço isso, para evitar estes embates”, salientou o senador, uma vez que a sessão final para votação do impeachment, conforme estabelece a lei, terá de ser presidida por Lewandowski.

'Manobras protelatórias'

O senador Álvaro Dias (PV-PR) ironizou as palavras de Renan afirmando que agradecia ao presidente da Casa “por ao menos eu ter direito à palavra”, destacando que não concorda com a forma de início de discussão sobre o rito do processo. “Fui voto vencido na reunião desta manhã e não concordo com essa demora para indicação dos integrantes da comissão. Mas não vamos questionar formalmente, para não contribuir com a procrastinação desse processo”, destacou Dias.

“Quero alertar ao país, aqui, no entanto, que com essa interpretação do regimento interno estamos desperdiçando dois a três dias de trabalho e o país não quer isso. Eu sei que não é vossa excelência o culpado, mas esse é, sim, um expediente protelatório condenável”, queixou-se o senador, dirigindo-se a Renan. O líder do governo, senador Humberto Costa (PT-PE), respondeu acentuando que não há interesse em protelar trabalhos por parte da base aliada do governo e sim, de fazer com que o regimento interno do Senado seja devidamente cumprido.

O regimento interno estabelece um prazo de 48 horas após a leitura do relatório em plenário, para indicação dos nomes dos integrantes e instalação da comissão. Os oposicionistas vinham brigando, desde o início da manhã, para antecipar este prazo, que apesar da leitura de hoje, não pode ser na quinta-feira (21), por conta do feriado.