Home Política Sabesp distribuiu R$ 1 milhão em bônus no pior período da seca em São Paulo
governo Alckmin

Sabesp distribuiu R$ 1 milhão em bônus no pior período da seca em São Paulo

Ao mesmo tempo em que distribuiu bônus aos seus diretores, companhia realizou processo intenso de demissão de trabalhadores e redução em projetos de tratamento de esgoto
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
14:42
Compartilhar:   
Eduardo Saraiva/A2IMG
sabesp

Sabesp alegou falta de verba quando reduziu investimentos e demitiu 450 trabalhadores

São Paulo – A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pagou pouco mais de R$ 1 milhão em bônus aos seis executivos que compõem a diretoria da empresa em 2015, referente ao lucro obtido pela companhia entre janeiro de 2014 e junho de 2015. No mesmo período, a população paulista sofreu com o racionamento não declarado de água, em alguns locais por dias, devido às manobras de redução de pressão e aos cortes diretos realizados pela empresa, sob justificativa de evitar o desperdício de água decorrente dos vazamentos existentes na rede.

Entre janeiro de 2012 e junho de 2015, a Sabesp distribuiu R$ 2,4 milhões em bônus aos seus diretores: R$ 672 milhões em 2012, R$ 731 milhões em 2013, R$ 701 milhões em 2014 e 371 milhões no primeiro semestre de 2015. Os dados foram obtidos pelo site Fiquem Sabendo, por meio da Lei de Acesso à Informação (Lei federal 12.527/2011).

No ano de 2015, a Sabesp praticamente liquidou os projetos de ampliação do serviço de tratamento de esgotos, alegando dificuldade no caixa da empresa, situação que permanece neste ano. Porém, no primeiro semestre de 2015, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, recebeu R$ 59 mil de bônus, por conta do lucro obtido pela companhia no mesmo período. O salário mensal de um diretor da estatal é de R$ 20.590.

Ao mesmo tempo em que distribuiu bônus aos seus diretores, a Sabesp realizou um processo intenso de demissão de trabalhadores. Entre 1º de janeiro e 31 de março de 2015, foram demitidos 450 profissionais, dos quais 70% realizavam funções operacionais, como manobras de fechamento e abertura de tubulações, manutenção de vazamentos, ligações novas, entre outros serviços. O Sindicato de Trabalhadores em Água, Energia e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema) denunciou a situação ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que suspendeu novas demissões.

O período entre janeiro de 2015 e junho de 2016, foi marcado também pela imensa quantidade de reclamações dos clientes da companhia por conta de falta de água. A Sabesp recebeu 349.626 reclamações, somente de residentes na capital paulista. Esse número representa aproximadamente uma queixa a cada dois minutos.

Na segunda-feira (7), o governador Geraldo Alckmin declarou que a falta de água em São Paulo está superada: “A questão da água está resolvida, porque nós já chegamos a quase 60% do Cantareira e 40% do Alto Tietê. Isso é água para quatro ou cinco anos de seca”.

No dia seguinte, a Aliança pela Água, rede com 48 organizações que realiza ações sobre a seca em São Paulo, criticou o governador por considerar “prematura” tal afirmação. “Mostra uma visão equivocada sobre segurança hídrica, induz o aumento do consumo e, consequentemente, diminui a já frágil resiliência da Grande São Paulo para enfrentar novas crises. Inclusive porque a situação atual é melhor do que na mesma data em 2014 e 2015, mas ainda muito pior do que era entre 2010 e 2013, período anterior à crise”, defendeu a entidade em nota.

A Sabesp justificou, também por meio de nota, que “os bônus são limitados a seis salários/ano e foram estabelecidos em 2004”. “Os vencimentos não são corrigidos desde 2013, o que inclusive resulta em uma defasagem de mais de 15% em relação à inflação do período. Os valores dos bônus de 2015 estarão disponíveis após a publicação do balanço, no final de março.”