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Remanejamentos

Governo deixa 'PMDB em paz' enquanto ajeita nova base aliada

Ministros e parlamentares passaram as últimas horas conversando com políticos do PP, PR, PSD, PTN, PHS e PTB e dizem estar animados para recompor base aliada. Intenção é definir novo formato até sexta-feira
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 30/03/2016 16h28
Ministros e parlamentares passaram as últimas horas conversando com políticos do PP, PR, PSD, PTN, PHS e PTB e dizem estar animados para recompor base aliada. Intenção é definir novo formato até sexta-feira
Luis Macedo / Câmara dos Deputados
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Guimarães: "Se a crise política é ruim, por outro lado agora teremos apoio razoável dentro da base"

Brasília – “Vamos deixar o PMDB em paz.” A frase, proferida hoje (30) por parlamentares e líderes partidários, durante solenidade no Palácio do Planalto, sinalizou as reuniões que estão em curso para definir o novo formato da base aliada do governo e, ao mesmo tempo, a intenção de, ao menos por enquanto, deixar os peemedebistas que suscitam dúvidas sobre que destino querem seguir, se posicionarem melhor.

O evento contou com a presença de três ministros do PMDB que evitaram dar qualquer declaração – Kátia Abreu (Agricultura), Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) –, mas teve como ponto principal das conversas as articulações em andamento para substituição dos cargos hoje ocupados por peemedebistas por integrantes do PP, PR, PSD, PTN, PHS e, dependendo das negociações, também uma ala do PTB.

“O bom dessa história toda é que, se a crise política é ruim, por outro lado agora teremos apoio razoável dentro da base. Teremos 'lado' por parte dos que vão integrar a base aliada, e não mais dúvidas”, afirmou o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), alfinetando sobre o caráter sempre dividido do PMDB, desde a formação da aliança para as chapas presidenciais de 2010 e 2014.

Guimarães descartou informações feitas anteriormente de que os deputados peemedebistas já teriam começado a ser sondados por ministros e integrantes do governo ontem mesmo, logo após a reunião da executiva nacional que formalizou o desembarque do partido, para continuarem mantendo apoio ao Executivo e votarem contra o impeachment.

“Não houve nada disso, se foram tratadas conversas, foi de caráter muito informal, pois estamos preferindo aguardar. Os peemedebistas que estiverem em dúvidas é que deverão se posicionar e não ser procurados por nós”, destacou, dando a entender que há novas articulações em curso com as demais siglas.

Fatura alta

O senador Paulo Rocha (PT-PA) disse que a reação contra o impeachment começa, de fato, a partir de agora, depois da saída do PMDB, porque muitos integrantes da base achavam que aconteceria o que ele chamou de “efeito dominó”, nos apoios das demais siglas, logo após a reunião de ontem. “Não é isto que estamos vendo, sem falar que temos recebido sinais de divisões entre os peemedebistas até agora”, disse.

Teixeira afirmou que a força dos movimentos sociais e entidades da sociedade civil organizada está fazendo com que muitos apoiadores do governo que, em meses anteriores, estavam se mantendo “em cima do muro” percebam que é preciso acordar e reagir contra iniciativas que ferem a legalidade e dispositivos constitucionais.

“Estão se dando conta que esta é uma fatura alta a ser cobrada no futuro, porque é nestes movimentos sociais que está a base eleitoral de muitos destes parlamentares”, disse o senador. “Isso leva a um maior despertar da sociedade para impedir a ruptura de preceitos democráticos e constitucionais e garantir direitos adquiridos depois de muito trabalho e luta”, acrescentou ele.

Dentre as novidades sobre as reuniões, uma ausência sentida no Palácio do Planalto foi a do ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, do PTB – sigla que ainda não se decidiu sobre como ficará em relação ao apoio à base do governo. Os petebistas são alvo de encontros a serem definidos entre hoje e amanhã.

No PP, por sua vez, está sendo negociada a possível substituição do ministro da Integração Nacional, Gilberto Ochi, que é da legenda, pelo deputado Cacá Leão (PP-BA) e o remanejamento de Ochi para algum outro cargo no segundo ou terceiro escalão.

Notícias de bastidores também falam numa articulação em curso que levaria à ida do deputado Ricardo Barros (PP-PR) para o Ministério da Saúde, em substituição ao peemedebista Marcelo Castro (PI). As informações no Palácio do Planalto são de que a presidenta Dilma Rousseff quer resolver de forma célere o novo formato da base aliada e definir a situação dos peemedebistas nos cargos até sexta-feira (1º).