Ataque

Mercadante: denúncia em delação de Delcídio é falsa e gravação foi editada

Ministro afirmou que procurou o parlamentar para oferecer apoio financeiro em solidariedade às filhas dele. Destacou que seu gesto teve caráter pessoal e jamais tentou interferir na Lava Jato

Antônio Cruz/Agência Brasil
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Mercadante contestou o conteúdo da delação e destacou procurou Delcídio enquanto amigo

Brasília – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, negou na tarde de hoje (15) denúncia feita pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) em delação premiada, divulgada na manhã desta terça-feira, por meio de gravação na qual ele (Mercadante) aparece oferecendo a um dos assessores de Delcídio, Eduardo Marzagão, recursos financeiros, como forma de pedir que o parlamentar tivesse “calma” e dando a entender que iria interferir na Operação Lava Jato.

Mercadante contestou o conteúdo da delação e destacou, em entrevista coletiva concedida no Palácio do Planalto, que sua iniciativa de procurar o senador foi tomada enquanto amigo de Delcídio e de forma pessoal. Segundo ele, tomou a atitude depois de ter ficado sabendo que as duas filhas do senador estariam sendo atacadas nas mídias sociais e que a família dele (Delcídio) passava por dificuldades financeiras.

De acordo com o ministro, a fita na qual Marzagão gravou a conversa, foi editada de forma a incriminá-lo. Mercadante também frisou várias vezes que sua visita ao assessor do ex-líder do governo não teve qualquer relação com a Presidência da República. E destacou que em nenhum momento ele tentou interferir na Lava Jato nem prometeu ajuda ao senador nesse sentido, inclusive por saber que além de não ser sua função, não tem qualquer ligação com o meio jurídico.

A denúncia feita sobre Mercadante provocou uma crise em Brasília e, poucas horas antes, assim que tomou conhecimento desse segundo conteúdo da delação do senador, a presidenta Dilma Rousseff convocou os ministros mais próximos para uma reunião de urgência no Palácio do Planalto.

O ministro da Educação foi chamado logo depois para conversar a sós com Dilma. Ele contou que explicou sua posição à presidenta, reiterou que sua conduta teve caráter pessoal e que iria esclarecer o que aconteceu aos jornalistas. Ainda são grandes, entretanto, as especulações de que o titular da pasta da Educação pode ser exonerado do cargo até o final da semana, sobretudo entre parlamentares no Congresso Nacional – tanto os da base aliada como os da oposição.

Mercadante é bastante ligado à presidenta, de quem ficou mais próximo após as manifestações populares de 2013, ocasião em que foi transferido para a Casa Civil.