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‘Fazer Justiça não pode ser um vale-tudo’, diz governador do Maranhão

Ele e o governador da PB, Ricardo Coutinho, reclamaram de abusos na Lava Jato. Para Dino, ‘decisões de força não contribuem para que haja verdade e justiça’. Segundo Coutinho, ‘limites foram extrapolados’
Publicado por Hylda Cavalcanti, da RBA
12:20
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Flavio Dino, governador do Maranhão, teme abalo nas instituições democráticas do país

Brasília – O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que é originário da Justiça Federal e foi o primeiro governante a capitanear a chamada “Carta dos Governadores”, no ano passado, apoiando a governabilidade do país e o mandato da presidenta Dilma Rousseff, afirmou há pouco que “abusos devem ser evitados” e, a seu ver, “fazer justiça não pode ser um vale-tudo”.

Flávio Dino divulgou por meio de sua assessoria – em material depois veiculado no Twitter – que sempre declarou seu apoio a todas as investigações no âmbito das operações Lava Jato, Zelotes e outras, mas acredita que medidas coercitivas devem obedecer ao princípio da necessidade, o que não se aplica ao caso do ex-presidente Lula.

“Decisões de força, quando desnecessárias, e atos espetaculares conflagram a sociedade e não contribuem para que haja verdade e justiça. No Direito, os fins não justificam os meios. São os meios que justificam os fins. Fazer justiça não pode ser um vale-tudo. Se o Ministério Público diz já possuir tantas provas, basta oferecer denúncia para que haja o direito de defesa e julgamento”, enfatizou Dino.

Espetacularização

Da Paraíba, também o governador Ricardo Coutinho (PSB), afirmou à Revista Nordeste que considera indispensável “manter a luta” para assegurar a democracia no país diante do que entende como “espetacularização da Justiça”.

“Direitos fundamentais estão sendo ignorados e  nobres e necessários objetivos legalistas cada vez mais se confundem com desejos e estratégias de correntes políticas e de algumas elites econômicas retrógradas. Espetacularizaram a justiça e a política”, destacou.

Coutinho ressaltou que a condução dos trabalhos da Lava Jato “extrapolou, definitivamente, os limites do bom senso e da apoliticidade que deve conduzir um processo como esse”.

“Ontem, um ex-presidente, com endereço fixo, se colocava à disposição da justiça para depor. Hoje, um verdadeiro aparato policial foi montado para ‘conduzir coercitivamente’ esse ex-presidente para depor sob a mira da grande mídia que comanda e tenta de todas as formas ressuscitar protestos contra um governo”, disse.

O governador do PSB considera que “essa simbiose é muito perigosa para o Estado democrático de direito”. “Não se trata de defender a impunidade. Se trata de ser contrário a toda uma clara e evidente manipulação que está ocorrendo onde direitos fundamentais.”