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Oposição

Líderes do PSDB indicam abandono da tese do impeachment

Tese deixou de ser consenso no partido depois de o STF derrubar rito estabelecido por Eduardo Cunha, em dezembro. Mas ainda há tucanos que apostam na queda da presidenta
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 05/02/2016 09h32, última modificação 05/02/2016 09h55
Tese deixou de ser consenso no partido depois de o STF derrubar rito estabelecido por Eduardo Cunha, em dezembro. Mas ainda há tucanos que apostam na queda da presidenta
Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Marcus Pestana

Marcus Pestana (acima) rebate Arnaldo Madeira: "Partido nunca ficou a reboque do Eduardo Cunha"

São Paulo – O discurso do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), na quarta-feira (3), em que prega a necessidade de o país sair "dessa história de impeachment e de não impeachment" é mais uma de algumas declarações tucanas em 2016 que, com maior ou menor ênfase, revelam ser cada vez menos consensual entre tucanos a tese de impedir o mandato de Dilma Rousseff a qualquer custo.

Virgílio se soma às vozes do partido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que passaram a demonstrar cautela, após a decisão do Supremo Tribunal Federal que, em dezembro, derrubou o rito de impeachment estabelecido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"Alguém quer criticar o governo, critique o governo, alguém quer elogiar o governo, elogie o governo, mas precisamos sair dessa pauta do impeachment, que paralisa o país, paralisa o Congresso, paralisa qualquer força criadora que nós possamos ter", disse Virgílio, ao lado do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em evento em Manaus.

Em entrevista ao jornal O Povo há duas semanas, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), um dos caciques do partido, usou o termo "improvável" para definir várias possibilidades de cenários no curto e médio prazos. Para ele, o impeachment, a renúncia de Dilma e a cassação pelo Tribunal Eleitoral (TSE), mas também a viabilidade do atual governo até 2018 são todas hipóteses hoje improváveis. "A presidente (sic) não vai ser impedida. Mas vai fazer o quê com o governo, se ela não tem uma base? Conseguir ficar três anos assim é improvável", afirmou. Porém, diante desse impasse, Tasso demonstrou não ter dúvidas sobre uma questão: "não existe maioria parlamentar para derrubá-la".

A declaração mais enfática e que enfureceu setores do PSDB foi do ex-líder do governo Fernando Henrique Cardoso na Câmara (1995-2002) e coordenador da campanha de Aécio Neves à presidência em São Paulo, Arnaldo Madeira, à Folha de S. Paulo, dia 14 de janeiro. "O PSDB deveria ir mais devagar. Está com muita sede e paralisou as coisas para ficar em cima do impeachment", declarou o co-fundador da legenda, que foi muito ligado ao ex-governador Mário Covas. "O partido ficou um bom tempo a reboque do Eduardo Cunha, confiando na ação dele e paralisado no debate do impeachment", acrescentou.

"Respeito as opiniões do Arnaldo, mas o partido nunca ficou a reboque do Eduardo Cunha. Nosso candidato à presidência da Câmara em 2015 chama-se Júlio Delgado, do PSB", rebate o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG). "Depende da ótica. Quem é caudatário de quem? Quem liderou e provocou o movimento de impeachment não foi Eduardo Cunha, fomos nós."

Sobre as declarações do prefeito de Manaus na quarta, Pestana disse à RBA que "o que Virgílio quis dizer é que, após a decisão do Supremo, o impeachment ficou mais complexo, mais difícil, mais improvável".

O parlamentar mineiro ressalta que ninguém no PSDB defende "sair fora (sic) do trilho da legalidade. Só meia dúzia de malucos imaginam golpe, venha de onde vier."

De acordo com a avaliação de Pestana, dos "três caminhos" para a queda de Dilma (renúncia, impeachment e cassação pelo TSE), só a cassação via tribunal parece hoje ser a alternativa que resta.

Depois da decisão do Supremo, em dezembro, o impeachment "ficou mais improvável, mas não impossível", diz o deputado. Já a renúncia claramente não vai ocorrer. Pestana considera que as chamadas pedaladas fiscais pelo governo, são inequívocas.

O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), líder das minorias na Câmara, não comentou as últimas declarações de lideranças tucanas demonstrando ceticismo diante da possibilidade de impeachment. Mas, segundo ele, março será decisivo para o progresso da tese. "Não temos o dia D? Pois março será o nosso mês D", ironizou, em entrevista à imprensa pernambucana ontem (4).

Uma nova manifestação contra o governo está marcada para o dia 13 de março.

Colaborou Hylda Cavalcanti, de Brasília