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contradições

'Cunhada' de FHC é funcionária fantasma do gabinete de Serra

Irmã da jornalista Mirian Dutra recebe cerca de R$ 7 mil mensais líquidos de dinheiro público, para ser assessora do Congresso há 15 anos, sem jamais ter aparecido para trabalhar
por Redação RBA publicado 19/02/2016 16h21, última modificação 19/02/2016 16h36
Irmã da jornalista Mirian Dutra recebe cerca de R$ 7 mil mensais líquidos de dinheiro público, para ser assessora do Congresso há 15 anos, sem jamais ter aparecido para trabalhar
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Margrit Dutra, funcionária fantasma de José Serra, nomeada por FHC

São Paulo – O senador José Serra (PSDB-SP) emprega em seu gabinete do Senado, como funcionária fantasma, Margrit Dutra Schmidt, irmã da jornalista Mirian Dutra Schmidt, conforme informou ontem (18) o blog do jornalista Lauro Jardim, no site de O Globo. Mirian ganhou notoriedade no início desta semana, ao revelar em entrevista à revista digital Brazil com Z detalhes de seu relacionamento com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo o jornalista, Margrit vai diariamente, de manhã e à noite, à entrada principal do Congresso, no setor conhecido como Chapelaria, mas não cumpre expediente. Em vez disso, ela registra suas digitais nos horários que deveriam ser de sua entrada e de sua saída do trabalho. Margrit, "cunhada" de FHC, tem salário líquido de cerca de R$ 7 mil reais mensais e recebe como assessora do Congresso há 15 anos, sem nunca ter comparecido ao trabalho.

O Globo entrevistou dez dos 15 funcionários do gabinete de Serra em Brasília e nenhum sabia dizer o que Magrit faz. Alguns deles disseram que nem sequer sabiam da existência da "colega".

Questionado sobre o fato de ninguém em seu gabinete conhecer a funcionária, Serra respondeu que ela trabalha de casa, em um projeto secreto. "Ainda é um projeto sigiloso, peço que você não adiante o que é. Lançarei em breve. Queria alguém que me ajudasse em questões não econômicas", disse a Lauro Jardim.

Conforme publicado no Diário Oficial (imagem abaixo), a primeira nomeação de Margrit foi feita pelo próprio FHC, em 27 de março de 1995, para o cargo em comissão de diretora do Departamento de Classificação Indicativa, no Ministério da Justiça – órgão que substituiu o departamento de censura depois do fim do regime militar. Nesta época, a irmã, Mirian, já vivia no exílio na Europa com o filho que ela e FHC acreditavam ser do presidente da República.

Corrupção

Mesmo recebendo salário de uma instituição pública sem trabalhar, em sua página no Facebook, Margrit atua como uma militante "contra a corrupção".  Refere-se ao ex-presidente Lula como "molusco" e ironiza Dilma por "cultuar" personagens como Getúlio Vargas e Leonel Brizola. "O Brasil acabou. E tem gente que defende esta corja", sentencia, em um de seus posts.

Margrit "trabalhou" ainda nos gabinetes do ex-senador Arthur Virgílio e da senadora Lúcia Vânia, ambos do PSDB, antes de receber salário como assessora fantasma de José Serra.

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Diário Oficial mostra nomeação de Margrit para o Ministério da Justiça pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso
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